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Bruxelas procura 500 mil motoristas fora da UE para colmatar falta de trabalhadores?


SIC Verifica

Será que a falta de condutores na Europa está a fazer com que a Comissão Europeia já esteja a recrutá-los em países fora da União Europeia? A alegação surge difundida nas redes sociais, nomeando um “estudo abrangente sobre o recrutamento e a integração de motoristas profissionais de países terceiros no mercado de trabalho da UE”. A SIC Verifica.

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A publicação remonta a 22 de fevereiro de 2026 e surge no Facebook quase como uma certeza: “Bruxelas procura em países terceiros uma solução para colmatar a falta de 500 mil motoristas”. A alegação gerou centenas de comentários indignados e partilhas pelo Facebook.

A Comissão Europeia publicou um estudo abrangente sobre o recrutamento e a integração de motoristas profissionais de países terceiros no mercado de trabalho da UE. O estudo, encomendado pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), pretende contribuir para a procura de soluções para a crescente escassez de motoristas na Europa”, começa por apontar o post.

Este acrescenta ainda que o “estudo identifica, com base em evidências, os principais obstáculos, incluindo lacunas de qualificação, dificuldades legais e administrativas para os condutores não pertencentes à UE e para as empresas de transporte europeias” e identifica “boas práticas concretas de vários Estados-membros”.

De facto, a Comissão Europeia está a analisar propostas e medidas para tentar colmatar a grave falta de cerca de 500 mil motoristas profissionais (de camiões e autocarros) na União Europeia, mas, atualmente, não há qualquer proposta legislativa que vise países terceiros, como confirmou à SIC fonte oficial da Comissão Europeia.

Ainda que a Comissão esteja ciente da escassez de motoristas profissionais de autocarros e camiões na UE, esta não avançou com qualquer medida nesse sentido. O que fez foi realizar um estudo sobre “Motoristas de autocarros e camiões de países terceiros” para obter mais informações sobre as condições de emprego dos motoristas de países terceiros na UE e sobre os conhecimentos e competências que possuem.

A publicação feita no Facebook parece basear-se nesse mesmo estudo através de um comunicado publicado pela IRU.

“O recrutamento de países terceiros pode complementar as soluções nacionais, desde que se baseie em percursos claros, condições justas e normas comuns da UE. Não existe uma solução única, mas com a combinação certa de medidas, a UE pode construir uma força de trabalho de motoristas resiliente e sustentável”, indicou a diretora da IRU na UE, Raluca Marian, em nota publicada no site da IRU.

A mesma nota dá conta de que a IRU está a avançar na implementação do projeto SDM4EU, uma iniciativa com o objetivo de colmatar a grave escassez de motoristas profissionais na Europa, que se divide em duas fases. A primeira fase traduz-se na “análise de políticas num plano operacional para esquemas de mobilidade de condutores seguros e bem regulamentados” e a segunda “prevê iniciativas-piloto a partir deste ano”.

De momento, o que já está a ser feito é abrir a profissão aos jovens e diversificar a mão de obra (por exemplo, através da integração mais mulheres no setor dos transportes), mas, não sendo suficiente a mão de obra interna, outra forma de enfrentar o desafio poderá passar pelo recrutamento de motoristas de países terceiros, mas esta é só uma hipótese no horizonte.

O estudo apresenta informações relevantes que podem servir de base precisamente a um debate sobre a integração de motoristas profissionais de países terceiros no mercado de trabalho da UE. Mas só dependendo do resultado do debate se poderão alinhavar novas medidas.

A SIC Verifica que é…

A Comissão Europeia está a analisar medidas para resolver a escassez de cerca de 500 mil motoristas profissionais na União Europeia, incluindo o recrutamento de condutores de países terceiros. O estudo, encomendado pela União Internacional dos Transportes Rodoviários (IRU), identifica obstáculos como lacunas de qualificação e dificuldades legais, apresentando boas práticas de vários Estados-Membros. No entanto, para já, trata-se apenas de uma potencial solução, não estando ainda nada definido nem se confirmando que a Comissão Europeia já esteja a contratar em países terceiros.

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