Ali Larijani fazia parte do círculo de confiança de Ali Khamenei e tem sido uma das caras mais importantes do regime de Teerão. Israel diz ter eliminado o chefe do Conselho de Segurança do Irão num ataque aéreo, porém o Irão não confirmou a morte.
Omar Sanadiki
Após a morte de Ali Khamenei, Ali Larijani tem sido um dos principais rostos do regime de Teerão. Braço direito do antigo líder supremo, é Larijani quem tem ocupado o espaço que está vazio até à escolha de um novo líder.
Era um dos conselheiros mais próximos de Khamenei e, inclusive, encontrou-se com o ‘ayatollah’ na manhã antes deste ser morto.
Larijani liderou o processo que se seguiu à morte do líder supremo, desde logo o anúncio da formação de um conselho de transição. Chegou, inclusive, a ser apontado como possível sucessor do líder supremo.
Considerado um conservador moderado no sistema político iraniano, a calma postura que lhe era associada mudou drasticamente aquando dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão. Larijani foi o primeiro a condenar os ataques em televisão nacional, ameaçando os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos e o regime sionista [Israel] incendiaram o coração da nação iraniana”, escreveu nas redes sociais. “Vamos queimar os corações deles. Vamos fazer com que os criminosos sionistas e os americanos sem vergonha arrependam-se das suas ações”, disse na sequência do ataque que matou o líder supremo, Ali Khamenei.
“Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, acrescentou.
“Kennedys do Irão”
Larijani nasceu a 3 de junho de 1958, em Najaf, cidade no Iraque, localizada a cerca de 160 quilómetros ao sul de Bagdade, no seio de uma família influente xiita ligada ao poder.
O seu pai era ayatollah e o irmão atingiu o mesmo posto, chegando a liderar o sistema judicial iraniano durante uma década. Um outro irmão também tinha uma vida política ativa, nomeadamente na política externa, e foi conselheiro de Khamenei.
Em 2009, a revista Time descreveu a família de Larijani como os “Kennedys do Irão”.
Vida de cargos políticos
Em 1979, Larijani licenciou-se em Matemática e Ciências da Computação pela Universidade de Tecnologia Sharif. Depois, concluiu o mestrado e o doutoramento em Filosofia Ocidental pela Universidade de Teerão, tendo escrito a sua tese sobre o filósofo alemão Immanuel Kant.
Apesar da bagagem académica, são as suas posições políticas que têm sido eixo central da sua carreira.
Em 1981, ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e ocupou depois vários cargos importantes no sistema político da República Islâmica, como o cargo de ministro da Cultura entre 1994 e 1997 e, posteriormente, o de diretor da emissora estatal (IRIB), de 1994 a 2004.
Vahid Salemi
Encarregado da pasta do nuclear em 2005, demitiu-se após dois anos de negociações com as grandes potências ocidentais, alegando “graves divergências com 8o então chefe de Estado, Mahmud] Ahmadinejad”.
Entre 2008 e 2020, desempenhou as funções de presidente do Parlamento (Majlis) durante três mandatos consecutivos, desempenhando um papel fundamental na definição da política interna e externa.
Como presidente, Larijani apoiou o acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano concluído em 2015. Teerão e Washington estavam em negociações para concluir um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano quando Israel lançou a sua ofensiva em junho, com o objetivo declarado de impedir o Irão de se dotar de armas atómicas.
Em maio de 2020, Larijani foi nomeado conselheiro do ‘ayatollah’ Khamenei e, em 2021, apesar de ser considerado um dos favoritos na ‘corrida’, a sua candidatura às presidenciais foi invalidada pelo Governo.
Mais recentemente, o veterano da política iraniana foi nomeado chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, o órgão estratégico encarregado de definir as políticas de Defesa e de Segurança do Irão.
Israel diz ter eliminado Ali Larijani
Esta terça-feira, Israel diz ter eliminado Ali Larijani num ataque aéreo. A informação é avançada pelo ministro da Defesa israelita, citado pela agência Reuters.
No início de março, Larijani tinha declarado que o Irão estava preparado para uma guerra longa, rejeitando qualquer negociação com os EUA.
“O Irão, ao contrário dos Estados Unidos, preparou-se para uma guerra longa”, escreveu, na altura, nas redes sociais.
O exército israelita afirmou também ter matado o Gholamreza Soleima, chefe da milícia Basij, composta por membros da Guarda Revolucionária iraniana, uma força fundamental para reprimir as manifestações no Irão, num ataque na segunda-feira, mas o Irão não confirmou a morte do responsável.
