Agronegócio

Sistema de Defesa da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira resistiu a evento hidrológico extremo do Tejo


A Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX) concluiu o acompanhamento do período de ameaça de cheia e inundação ocorrido entre 22 de janeiro e 23 de fevereiro de 2026, um dos episódios meteorológicos e hidrológicos mais exigentes das últimas décadas na bacia hidrográfica do rio Tejo.

Apesar de se terem registado danos nas diversas infraestruturas, que ascendem a mais de 3,5 milhões de euros, provocados no dique de defesa, portas de água e caminhos, a ABLGVFX conclui que foram uma ínfima parte do que podia ter ocorrido se a água tivesse rompido ou galgado o Sistema de Defesa da Lezíria.

Durante este período registou-se uma sequência de seis tempestades (Ingrid, Kristin, Leonardo, Marta, Nils e Oriana) que provocaram precipitação intensa e um aumento significativo das afluências na bacia do Tejo. Os caudais médios diários, medidos em Almourol, atingiram cerca 10 000 m³/s no dia 6 de fevereiro, valores próximos dos registados em episódios históricos trágicos como os vividos em 1979.

A situação tornou-se particularmente exigente devido à coincidência entre elevados caudais e dois períodos de marés vivas, circunstância que aumentou significativamente a pressão hidráulica sobre o Sistema de Defesa do Aproveitamento Hidroagrícola da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (AHLGVFX), protegido por um dique em terra que impede a inundação provocada pelos rios Tejo e Sorraia.

O momento mais crítico ocorreu no dia 6 de fevereiro, quando se verificou a conjugação de elevados caudais provenientes de Espanha, chuva e ventos fortes, em período de maré cheia. Foi assim determinada a evacuação preventiva do território, como medida de precaução e salvaguarda das pessoas e das atividades instaladas na Lezíria. Apesar da intensidade do fenómeno, não se registaram rombos nem destruição do dique, o que permitiu manter o tráfego na EN10, vulgo Reta do Cabo.

Perante este cenário, a ABLGVFX ativou um dispositivo reforçado de monitorização e acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas, inspeção permanente do dique, operações de drenagem forçada e intervenções pontuais de reparação, contenção e mitigação de danos. Para o efeito, foram mobilizadas equipas presentes no terreno 24 horas por dia, durante várias semanas consecutivas, intervindo em todos os locais de eminente ruptura e em permanente comunicação com a Agência Portuguesa do Ambiente, Forças de Segurança e Protecção Civil.

A resposta operacional contou com o empenho da equipa da ABLGVFX e com uma articulação institucional permanente com várias entidades, com destaque para a Agência Portuguesa do Ambiente, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e a Proteção Civil, mas também a Polícia de Segurança Pública, o IPMA, a EDP e a Autoridade Espanhola responsável pela gestão das barragens perto da fronteira, numa conjugação de esforços notável, cujos resultados se assinalam e louvam. Foi um trabalho extraordinário que prova que quando se dá as mãos e se estabelece uma linha de comando, os resultados surgem.

A ABLGVFX manifesta o seu profundo agradecimento às entidades envolvidas, bem como a todos quantos de forma mais ou menos activa participaram nas muitas tarefas desenvolvidas durante o período de maior perigosidade durante este período.

Fonte: ABLGVFX



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