Dez dos 11 arguidos detidos pela Polícia Judiciária, suspeitos de pertencer a uma rede internacional que terá usado bancos nacionais para lavar dinheiro obtido através de burlas a empresas estrangeiras, ficaram em prisão preventiva.
(Arquivo)
Chanin Wardkhian
A Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP) refere, num comunicado divulgado esta terça-feira, que a Diretoria do Norte da PJ deteve e apresentou a primeiro interrogatório judicial para aplicação de medidas de coação 11 arguidos, incluindo um ex-bancário.
A Procuradoria refere que os arguidos (oito mulheres e três homens) estão indiciados pela prática dos crimes de associação criminosa, branqueamento, burla qualificada, falsidade informática, falsificação de documentos e, quanto ao arguido ex-bancário, de corrupção passiva no setor privado.
De acordo com a mesma nota, 10 dos detidos ficaram em prisão preventiva, tendo sido aplicada a uma outra arguida a obrigação de apresentações bissemanais, para além da proibição de se ausentar do país, com entrega do passaporte, e de contactar com os outros arguidos e testemunhas.
Os arguidos “estão fortemente indiciados de integrarem uma organização criminosa de cariz internacional que, desde o ano de 2023, se dedica, com recurso a identidades falsas (pessoas singulares e/ou coletivas), à abertura e uso de contas bancárias nacionais, para circulação e dissipação de fundos oriundos de crimes praticados especialmente contra empresas, com recurso aos meios informáticos”, refere a PGRP.
“Nesta atividade, o grupo beneficiou da atuação do arguido enquanto bancário que, abusando das funções, permitiu o alargamento dos limites máximos de movimentação ‘online’ das contas criadas pelo grupo, facilitando a transferência imediata de elevados montantes“, refere a mesma nota.
De acordo com a investigação, os alegados crimes causaram um prejuízo no valor global de 1.799.395,59 euros a sete sociedades estrangeiras, que foram desviados para as contas bancárias do grupo através do chamado esquema CEO Fraud, com manipulação do IBAN dos pagamentos a fornecedores, através de interferência nas comunicações eletrónicas.
Nas buscas, que precederam as detenções, foi apreendida inúmera documentação e equipamento informático relacionados com os crimes, diversos relógios, artigos de joalharia e peças de vestuário ostentando marcas de luxo, duas viaturas e quantia monetária superior a 200 mil euros.
