O preço do petróleo registou uma subida abrupta para mais de 110 dólares por barril, após um ataque israelita às instalações energéticas do Irão. A reação do Teerão não se fez esperar: o país promete retaliar, com alvos definidos nas infraestruturas energéticas dos países vizinhos do Golfo.

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O impacto do ataque israelita foi imediato. Israel atingiu a maior central de gás e outras instalações petrolíferas no Irão, resultando numa alta considerável nas cotações do petróleo. Em apenas uma semana, o preço do barril subiu quase 10%, com o tipo Brent a ser negociado esta quarta-feira a 110 dólares.
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária Iraniana anunciou que irá atacar as infraestruturas energéticas no Golfo, mais concretamente na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar. Uma retaliação que, caso se concretize, pode elevar ainda mais os preços do petróleo, criando um cenário de incerteza no mercado energético global.
Enquanto isso, o Irão mantém o estreito de Ormuz fechado para a maior parte do comércio de combustível mundial, o que agrava a situação. O estreito é uma rota estratégica para o transporte de petróleo e gás, e a sua obstrução tem sérias repercussões no mercado energético.
Alguns países têm adotado estratégias alternativas para mitigar os efeitos do bloqueio. O Iraque, por exemplo, começou a exportar petróleo através de oleodutos que atravessam a Turquia. O Camboja, por sua vez, tem intensificado as importações de combustível de Singapura e da Malásia para compensar a queda da oferta do Vietname e da China, que restringiram as suas exportações para evitar escassez no mercado interno.
A Rússia também pondera redirecionar o seu petróleo e gás para mercados fora da Europa. No entanto, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que o país ainda está aberto a negociações com os europeus, embora até agora não tenha recebido qualquer sinal de interesse por parte da União Europeia.
“Sabemos que o mercado de energia está a enfrentar grandes distúrbios devido à guerra no Irão, e, naturalmente, esses distúrbios tornam difícil prever a dinâmica do mercado. Por isso, está a ser conduzida uma análise detalhada, levando em consideração todas as especificidades da situação atual”, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin.
A Agência Internacional de Energia (AIE) já manifestou disponibilidade para libertar mais petróleo das reservas estratégicas, caso os preços do barril se mantenham acima dos 100 dólares.
