Economia

Compensa ou não comprar um carro elétrico?

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Contas Poupança

O aumento recente do preço dos combustíveis tem relançado a curiosidade acerca dos carros elétricos. Para muitos, pode parecer uma excelente opção de poupança, mas, se não for bem planeada, a compra pode acabar em desilusão. Se está a considerar fazer a transição para um carro elétrico, o Contas Poupança ajuda a fazer as contas para saber se é uma boa opção para si ou se será melhor esperar.

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Nos últimos anos, os carros elétricos tornaram-se uma tendência. No entanto, se não forem bem planeados, podem transformar-se numa surpresa desagradável, com custos inesperados. Neste Contas Poupanças, lembramos as perguntas essenciais que deve fazer antes de investir num carro elétrico, para evitar surpresas desagradáveis no futuro.

Em 2016, quando o mercado de carros elétricos ainda era novidade, Henrique Sánchez, na altura presidente da UVE (Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos), explicou as vantagens e desafios de possuir um carro elétrico.

Na altura, o preço de aquisição era elevado, mas os custos de operação eram significativamente mais baixos, especialmente devido ao carregamento gratuito nas ruas e outros benefícios. O primeiro Nissan Leaf de Henrique, por exemplo, custou 37 mil euros, mas Henrique economizou cerca de 5 mil euros por ano em eletricidade, estacionamento grátis, isenção de impostos e falta de custos com manutenção. Ao fim de sete anos, o carro estava pago e ainda conseguiu vendê-lo com lucro.

Na altura, compensava mais do que hoje, mas mesmo assim, as contas ainda dão que pensar, sobretudo na questão da manutenção.

“Num carro elétrico vai ter menos prejuízos do que num carro com motor de combustão interna, porque um carro com motor de combustão tem depois todo o custo de manutenção. O carro que eu tenho atualmente vai fazer sete anos e nunca teve um problema com o motor. Num carro com motor de combustão interna teria seguramente já feito algumas intervenções”, explicou Henrique Sánchez.

Autonomia continua a ser um desafio

Um dos argumentos contra a compra de carros elétricos é o preço mais elevado em comparação com os carros a combustão. No entanto, atualmente, os preços dos carros elétricos tornaram-se mais acessíveis, com algumas opções abaixo dos 20.000 euros.

Porém, a autonomia, que pode variar entre 200 e 300 quilómetros, continua a ser um grande desafio, especialmente para quem realiza viagens longas.

Antes de considerar a compra de um carro elétrico, deve perguntar-se: “Tenho onde carregar o carro?” Se tiver a possibilidade de carregar em casa ou no trabalho, o processo é simples. No entanto, quem não tem essa opção pode enfrentar dificuldades.

José Subtil, proprietário de um carro 100% elétrico há dois anos, foi surpreendido com os custos de carregamento público, uma vez que não tem carregador em casa.

“Como não tenho carregador em casa, uma vez que moro no 11º andar, tenho que carregar no público. E ao carregar no público, a situação económica é extremamente dispendiosa. Este é o exemplo mais flagrante, onde paguei 23,71 euros pelo carregamento, o que considero um exagero.”

João Alves, por sua vez, comprou um carro elétrico com a intenção de o carregar em casa, mas foi surpreendido com a falta de capacidade da rede do condomínio.

“Na altura que comprei, a pensar em carregar o carro em casa, mas infelizmente o condomínio não estava preparado. Foi uma construção feita em 2000, ou seja, as infraestruturas elétricas não estão preparadas para esta mudança. Tive sorte de viver na parte de trás, no rés-do-chão, onde consegui fazer uma ligação doméstica, mas demora 22 a 25 horas para carregar na totalidade.” Mesmo assim, João ficou satisfeito com a redução dos seus custos com combustível, passando de 400 euros por mês em gasóleo para apenas 200 euros com eletricidade, incluindo o consumo doméstico.

De acordo com os estudos da UVE, percorrer 100 quilómetros com diferentes tipos de veículos custa:

  • Num carro a gasolina: 9,70 €
  • Num carro a diesel: 7,42 €
  • Num carro elétrico (rede pública): 8,09 €
  • Num carro elétrico em casa (tarifa simples): 3,19 €
  • Num carro elétrico em casa (tarifa bi-horária): 2,11 €

É essencial verificar a rede de carregamento

Antes de comprar um carro elétrico, é essencial verificar a rede de carregamento nos percursos mais longos que costuma fazer. Existem várias aplicações que podem ajudá-lo, como a Miio, que permite planear os locais de carregamento mais próximos durante as viagens. Não se esqueça de que é ilegal e perigoso ter cabos a sair de sua casa para a via pública.

Por último, lembre-se de que a compra de um carro elétrico envolve mudanças nos seus hábitos diários.

“Eu não saio de casa sem os destinos todos programados, por exemplo, por uma questão de gestão da parte elétrica e da particularidade de estarmos a descobrir onde é que o carregador está disponível. Se está bom, se não está”, contou João Alves.

Em Portugal, a maioria dos carros elétricos é adquirida por empresas, devido aos benefícios fiscais, mas se já se perguntou se um carro elétrico é uma boa opção para si é fundamental fazer as contas primeiro. Mesmo que seja financeiramente vantajoso, tenha em mente que a mudança também exige ajustes nos seus hábitos e na forma como organiza os seus dias e viagens. Se não estiver disposto a isso, talvez seja melhor pensar duas vezes antes de tomar a decisão.



SIC Noticias

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