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ENTREVISTA SIC NOTÍCIAS
A presidente da Iniciativa Liberal acusou o primeiro-ministro Luís Montenegro de não cumprir as promessas feitas e de ficar “muito aquém do que seria expectável”, numa entrevista na Edição da Noite da SIC Notícias.
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Mariana Leitão considerou que o Governo não tem conseguido avançar com as reformas necessárias, apesar de estar em funções há cerca de dois anos.
“O senhor primeiro-ministro tem ficado muito aquém daquilo que seria expectável e daquilo que ele próprio prometeu”, afirmou.
A líder liberal sublinhou que há um desfasamento entre o que foi anunciado e o que foi concretizado.
“Neste momento teria de dar bastantes mais provas de que está a conseguir ir ao encontro das suas próprias promessas de grandes transformações e grandes reformas”, disse.
Leitão alertou ainda para o risco de algumas medidas não avançarem, apontando o exemplo da reforma laboral.
“Corremos o risco, mais uma vez, por conta de um conjunto de bloqueios, de ela nem sequer ver a luz do dia”, acrescentou.
“Os três maiores partidos não conseguem resolver os problemas”
Sobre os cargos que continuam por preencher na Assembleia da República, a presidente da Iniciativa Liberal mostrou-se disponível para viabilizar nomes, mas defendeu que o critério deve ser a competência e não a origem partidária.
“O que interessa no fim do dia não é se a indicação veio do partido A ou do partido B. O que interessa é a competência da pessoa, o currículo e a experiência”, afirmou.
Mariana Leitão recusou qualquer tipo de negociação política associada a este processo.
“Não me parece que seja correto estar a usar este impasse para fazer jogos políticos, muito menos para fazer exigências futuras”, disse.
A dirigente apontou ainda responsabilidades aos principais partidos, considerando que têm contribuído para o bloqueio institucional.
“Os três maiores partidos não conseguem resolver os problemas e acabam por bloquear o país em matérias importantes”, criticou.
“Não queremos mudar radicalmente a Constituição”
Durante a entrevista, a líder liberal defendeu também a necessidade de rever a Constituição, sublinhando que o objetivo passa por ajustar algumas matérias e não por uma mudança profunda.
“Há várias questões na Constituição que efetivamente nós já identificámos que precisam de se adaptar”, afirmou.
Entre as propostas, destacou a possibilidade de o Estado deixar de ser o único prestador de serviços públicos, abrindo espaço a privados e ao setor social, e a alteração dos processos de nomeação para certos cargos, que considera que devem ser feitos por concurso.
Ainda assim, afastou uma revisão mais abrangente.
“Não queremos abrir uma discussão para estar a mudar radicalmente a Constituição”, garantiu.
“O importante é garantir a libertação do povo iraniano”
Sobre o conflito no Irão, Mariana Leitão afirmou que o foco deve estar na libertação da população.
“O importante é garantir a libertação do povo iraniano. Esse deve ser o objetivo máximo”, disse.
A presidente da Iniciativa Liberal reconheceu o impacto económico da crise, mas defendeu que Portugal poderia estar mais preparado.
“Se tivéssemos uma preparação diferente e uma carga fiscal menos elevada, conseguiríamos lidar melhor com estas situações”, concluiu.
