Cultura

Todos os pássaros: um teatro sobre conflito, poder e amor


Cartaz

Um texto de 2017, de Wajdi Mouawad, serve de pretexto para contar aquela que parece ser a história do Romeu e Julieta contemporâneos. Uma história que aborda o tema do amor, durante o conflito israelo-palestiniano, com encenação de Álvaro Correia.

Loading…

Jerusalém serve de cenário à história. Em cena, um casal composto por um israelita e por uma palestiniana. Eitan, de origem judaica, é um cientista que estuda o genoma humano. Wahida é uma estudante de doutoramento árabe. Apaixonaram-se, mas devido à pesada herança familiar e ao fundamentalismo religioso são impedidos de viver este amor.

Esta história aborda, através do retrato das relações humanas, o conflito vivido na Cisjordânia. Enquanto a guerra acontece, a discórdia propaga-se e mina, também, esta família.

Interpretado por Fernando Luís, o pai de Eitan é um judeu fundamentalista, que carrega o peso da memória do holocausto e que se manifesta contra a relação do filho. A rejeição da relação amorosa, por parte da família conservadora de Eitan, é a metáfora perfeita…e que os obriga a confrontarem-se com a sua própria identidade.

Esta peça tem uma dimensão poética que contrasta com a crueldade dos factos, desde logo patente no título.

Álvaro Correia refere que este é uma referência à ideia de que devíamos ser como os pássaros, “devíamos andar livremente, não devia haver muros que nos separassem. Porque realmente em sítios onde existem muros os pássaros são aqueles que atravessam sem qualquer dificuldade”.

Os protagonistas querem rejeitar uma herança, que lhes foi impingida. Madalena Almeida, atriz que interpreta Wahida, considera que a mensagem principal da obra passa por uma aproximação destes povos, de forma, a que duas pessoas não sejam impedidas de estar juntas por questões genéticas e culturais.

“[Com esta peça] aprendemos a reconhecermo-nos a nós próprios, às nossas religiões, às nossas origens e às nossas heranças familiares. Mas perceber, também, que elas não têm que nos definir e de nos limitar de nos darmos uns com os outros”, acrescenta.

Com interpretação de Cucha Carvalheiro, David Esteves, Fernando Luís, Madalena Almeida, Manuela Couto, Virgílio Castelo, Duarte Romão e Laura Garnel. A peça “Todos os Pássaros” fala sobre amor e empatia em tempos de guerra e está em cena até dia 29 de março.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *