Previsões Agrícolas
As previsões agrícolas, em 28 de fevereiro de 2026, apontam para um ano agrícola profundamente marcado pelas condições meteorológicas adversas. A tempestade Kristin, no final de janeiro, provocou prejuízos muito elevados na agricultura, com particular incidência nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo. No Centro, as cheias no Baixo Mondego e a rotura de diques deixaram extensas áreas agrícolas submersas e provocaram danos significativos em culturas e infraestruturas, enquanto na região de Lisboa e Vale do Tejo as inundações associadas aos rios Tejo e Sorraia afetaram numerosas explorações. Os levantamentos preliminares realizados pelas CCDR apontam para prejuízos já superiores a 472 milhões de euros no Continente, encontrando-se ainda em curso a avaliação global dos danos.
Num contexto meteorológico marcado por precipitação persistente e solos saturados, a área semeada com cereais de outono/inverno para grão deverá ser historicamente baixa, cerca de metade da registada na campanha anterior, refletindo as dificuldades na instalação das culturas e a fraca rentabilidade da atividade cerealífera.
No olival, as informações recolhidas ao longo da campanha apontavam para uma diminuição da produção de azeitona, mas os resultados preliminares do Inquérito Anual à Produção de Azeite indicam uma evolução mais favorável, devendo a produção de azeite ser semelhante à da campanha passada.
Gado, aves e coelhos abatidos
O peso limpo total de gado abatido e aprovado para consumo em janeiro de 2026 foi 39 671 toneladas, o que correspondeu a uma diminuição de 3,6% (+7,7% em dezembro), resultante do menor volume de abate registado em todas as espécies, nomeadamente nos bovinos (-7,5%), suínos (-2,5%), ovinos (-15,4%) e caprinos (-27,4%). O peso limpo total de aves e coelhos abatidos e aprovados para consumo foi 35 358 toneladas, o que representou uma diminuição de 1,8% (+6,8% em dezembro), devido essencialmente ao menor volume de abate de perus (-17,1%), codornizes (-20,9%) e coelhos (-15,6%).
Produção de aves e ovos
O volume de frango diminuiu 1,4%, com uma produção de 29 132 toneladas (+4,1% em dezembro), tendo, no entanto, a produção em número de cabeças registado um acréscimo de 1,5% (+4,1% em dezembro), resultante do menor peso médio dos animais. A produção de ovos de galinha para consumo cresceu 1,8% (+9,7% em dezembro), contabilizando 11 400 toneladas.
Produção de leite e produtos lácteos
A recolha de leite de vaca foi 163,9 mil toneladas, superior em 2,0% (+1,7% em dezembro). O volume total de produtos lácteos teve um aumento de 4,6% (+8,6% em dezembro), sustentado pela maior produção de leite para consumo (+4,8%), leites acidificados (+13,3%), manteiga (+10,1%) e queijo de vaca (+0,4%).
Pescado capturado
O volume de capturas de pescado em Portugal diminuiu 40,4% (-41,5% em dezembro), justificado pela menor captura de peixes marinhos, crustáceos e moluscos. Às 2 388 toneladas de pescado correspondeu uma receita que totalizou 12 854 mil euros, valor que representou uma diminuição de 33,9% (-34,4% em dezembro). O preço médio do pescado descarregado foi 5,22 Euros/kg, ou seja, um aumento de 10,8% (+13,3% em dezembro).
Preços e índices de preços agrícolas
Em fevereiro de 2026, as variações mais significativas no índice de preços de produtos agrícolas no produtor foram observadas nos bovinos (+28,8%), hortícolas frescos (+24,5%), ovos (+16,0%), suínos (-32,0%) e no azeite a granel (-17,0%).
Em comparação com o mês anterior, as variações de maior amplitude verificaram-se na batata (-16,2%) e nos hortícolas frescos (-6,7%).
Em dezembro de 2025, o índice de preços de bens e serviços de consumo corrente (INPUT I) diminuiu 2,6%, enquanto o índice de preços de bens e serviços de investimento (INPUT II) aumentou 3,0%. Em relação ao mês anterior, o INPUT I registou um decréscimo de 0,3% enquanto o índice do INPUT II apresentou um acréscimo de 0,2%.
O artigo foi publicado originalmente em INE: publicações.
