Os mercados abriram esta sexta-feira com o preço do gás e do petróleo a cair ligeiramente, depois de fortes subidas registadas na véspera. O Brent tinha ontem chegado perto dos 120 dólares por barril, enquanto o gás disparou 35% na Europa.

Loading…
Durante mais de 12 horas de reunião, os líderes europeus centraram-se na guerra no Médio Oriente e nas suas consequências para a economia europeia. O encontro teve lugar no mesmo dia em que os preços da energia registaram uma escalada significativa, após vários ataques a infraestruturas energéticas.
Do Conselho Europeu sai a certeza de que é necessário agir. A prioridade passa por uma maior flexibilização dos apoios do Estado para compensar a subida dos preços da energia, uma medida que vários Estados-membros, como Portugal, já começaram a adotar.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, sublinhou a necessidade de reforçar a autonomia energética da União Europeia:
“Precisamos de nos tornar mais autónomos e depender das nossas próprias fontes de energia. A descarbonização e a utilização de fontes de energia locais continuam a ser o caminho certo para limitar dependências perigosas e reduzir o custo da energia a longo prazo. Mas, ao mesmo tempo, precisamos de tomar medidas imediatas para proteger os cidadãos e as empresas.”
A Comissão Europeia pretende ainda reduzir os encargos das redes elétricas, sobretudo na indústria, e avançar com alterações fiscais. Ursula von der Leyen defende a redução dos impostos sobre a eletricidade, sublinhando que, em alguns casos, esta é taxada muito acima do gás:
“Em alguns casos, a eletricidade é taxada muito mais do que o gás, por vezes até 15 vezes mais. Isto não pode acontecer. Por isso, vamos propor a redução das taxas sobre a eletricidade e garantir que esta é menos taxada do que os combustíveis fósseis.”
A presidente da Comissão anunciou também a criação de um novo fundo de cerca de 30 mil milhões de euros, destinado a investimentos na descarbonização. Tanto a Comissão como o Banco Central Europeu defendem que os apoios devem ser temporários e direcionados a quem mais necessita.
Os líderes europeus manifestam preocupação com o impacto de uma crise energética agravada pelos ataques iranianos ao Qatar. Nos próximos três a cinco anos, o país deverá produzir menos 17% de gás face aos níveis anteriores, o que poderá comprometer o abastecimento à Ásia e à Europa.
Apesar da forte subida registada na véspera, o preço do gás registava esta manhã uma descida, embora a um ritmo mais lento do que o das subidas. O recuo foi de cerca de 3%, para perto dos 60 euros por megawatt-hora.
Já o petróleo, que após os ataques no Médio Oriente se aproximou dos 120 dólares por barril, estava também em queda esta manhã, cerca de 2%, mantendo-se ainda acima dos 100 dólares por barril.
