“É absolutamente fundamental, ou seja, a UTAD está há muito tempo em gestão corrente, o que limita muito a sua capacidade de desenvolvimento estratégico”, afirmou o ministro, que falava aos jornalistas naquela universidade, localizada em Vila Real, onde hoje vai participar no 40.º aniversário da instituição.
Fernando Alexandre explicou que o reitor interino da UTAD, nomeado por si em outubro devido a uma crise institucional criada pelo impasse na instalação do Conselho Geral, órgão que elege o reitor, “não pode fazer mais do que gestão corrente”.
O impasse começou em março de 2025, mas a crise institucional agravou-se com a saída, em setembro, do anterior reitor.
Depois de uma decisão recente do Supremo Tribunal Administrativo, o reitor Jorge Ventura notificou os sete elementos cooptados para o Conselho Geral, o que poderá levar à instalação completa deste órgão e, consequentemente, à marcação da eleição para o reitor.
“E no caso do curso de Medicina, por exemplo, vai abrir este ano 40 vagas, mas o contrato de programa só deverá poder ser assinado com o novo reitor, o que quer dizer que, mesmo na implementação do curso, vai haver um atraso em resultado desta situação e, por isso, a dimensão institucional, a qualidade do funcionamento institucional é decisiva para, obviamente, o serviço que as universidades, neste caso a UTAD, têm que dar à região e ao país”, sublinhou.
Fernando Alexandre concretizou que o atraso a que se referiu é na preparação das condições para o funcionamento do curso de Medicina, acrescentando que “a instituição assegura que estarão reunidas para o funcionamento no primeiro ano”.
Depois de anos a ser reclamado, o Mestrado Integrado em Medicina abre na UTAD no ano letivo 2026/27 com 40 vagas e vai funcionar en parceria com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).
Hoje, a UTAD assina um memorando com 21 municípios para uma colaboração no âmbito da permanência e formação dos futuros estudantes nas Unidade de Saúde Familiar (USF) dos respetivos municípios.
Para Fernando Alexandre, é também “fundamental” esta parceria entre academia e autarquias.
“Quando estamos a falar do curso de medicina, que é um curso muito exigente, com uma logística complexa, é fundamental envolver os agentes da região. Este curso vai permitir, de facto, melhorar de forma significativa a qualidade dos serviços de saúde prestados nesta região e é preciso, e isso está-se a notar, um grande envolvimento de todos os municípios da região que reconhecem a importância que esse curso tem”, sublinhou.
Por fim, desafiado a comentar crises institucionais nas universidades, Fernando Alexandre referiu que, “felizmente, a grande maioria funciona em condições de perfeita normalidade institucional”.
“O Governo intervém em casos de crise, tivemos que intervir na situação da UTAD, fui eu que nomeei este reitor interino, porque a instituição não teve capacidade de o fazer. Eu espero não voltar a ter que tomar uma iniciativa desse tipo, mas obviamente, quando há uma crise institucional que põe em causa o cumprimento da missão pública, numa instituição pública, que tem uma missão de serviço público, a obrigação do Governo é intervir”, afirmou, apontando que, no caso da UTAD, sem a nomeação do reitor interino a “instituição não funcionaria”.
“Não haveria sequer forma de pagar salários, é disso que estamos a falar”, sublinhou.
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