A Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC), a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS) e a Associação de Orizicultores de Portugal (AOP) vêm alertar para a situação extremamente preocupante que o sector dos cereais atravessa atualmente em Portugal, resultado de um conjunto de fatores adversos que estão a comprometer seriamente a campanha agrícola em curso.
As condições meteorológicas registadas nos últimos meses, marcadas por precipitação intensa e persistente, dificultaram e continuam a dificultar de forma significativa as operações de sementeira e maneio em várias regiões do país. Em muitos casos, os produtores viram-se impossibilitados de entrar nos terrenos em tempo útil, comprometendo o calendário agrícola e, consequentemente, o potencial produtivo das culturas.
Para além disso, a sucessão de tempestades tem provocado danos severos em diversas explorações agrícolas, incluindo destruição de infraestruturas, erosão dos solos e perdas generalizadas de áreas semeadas, agravando ainda mais a situação no terreno.
Paralelamente, as culturas instaladas têm sofrido perdas consideráveis devido ao excesso de água no solo, provocando encharcamentos, asfixia radicular e, em muitos casos, a destruição total das searas. Esta situação agrava ainda mais a já frágil sustentabilidade económica das explorações agrícolas.
A estes constrangimentos junta-se o aumento muito acentuado dos custos de produção, fortemente influenciado pelo contexto geopolítico internacional, nomeadamente pela guerra no Médio Oriente. Os preços dos fertilizantes têm registado subidas históricas, assim como os combustíveis, essenciais para o funcionamento das explorações, colocando uma pressão adicional insustentável sobre os agricultores, cujas margens já estão muito esmagadas pelos baixíssimos preços do mercado mundial de cereais.
Perante este cenário, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP consideram que o sector dos cereais enfrenta um risco real de quebra significativa de produção, com impactos diretos na segurança alimentar e no aumento da dependência externa do país.
Assim, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP apelam às entidades competentes para a adoção urgente de medidas de apoio extraordinário aos produtores nacionais, nomeadamente:
• Celeridade na implementação de mecanismos de compensação pelas perdas de produção;
• Apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, nomeadamente infraestruturas, construções e equipamentos seriamente danificados;
• Apoio ao rápido restabelecimento das infraestruturas dos perímetros de regra, também elas seriamente danificadas;
• Alargamento da situação de calamidade a todas as regiões realmente afetadas pelas recentes intempéries;
• Apoios diretos para mitigação do aumento dos custos dos fatores de produção, nomeadamente nos combustíveis e fertilizantes;
• Flexibilização de prazos e requisitos de elegibilidade no âmbito das políticas agrícolas em vigor;
• Reforço dos instrumentos de gestão de risco adaptados à realidade climática atual;
• Reforço, imediato, da dotação financeira do PEPAC de modo a permitir apoiar investimentos que se revelem essenciais para o desenvolvimento, modernização e competitividade do setor cerealífero nacional;
• Implementação de uma medida de apoio às OPs de cereais que em 2026/2027 vão viver uma campanha muito complicada, fruto de um muito menor volume de produção comercializada, o que causará evidentes dificuldades na manutenção do reconhecimento e na gestão financeira das Organizações.
As três associações reafirmam assim a importância estratégica do sector dos cereais para a economia nacional e para a soberania alimentar de Portugal, sublinhando a necessidade de uma resposta célere e eficaz que permita salvaguardar a continuidade da produção.
Fonte: ANPOC, ANPROMIS e AOP
