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"Gostaria de nunca o ter conhecido": Princesa da Noruega quebra silêncio sobre ligação a Jeffrey Epstein


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A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, afirmou que foi “manipulada e enganada” por Jeffrey Epstein, numa entrevista à estação pública NRK, na qual falou pela primeira vez sobre a relação que manteve com o magnata norte-americano.

Rune Hellestad – Corbis

“Sinceramente, gostaria de nunca o ter conhecido. Mas, ao mesmo tempo, é muito importante para mim assumir a responsabilidade por não ter verificado os seus antecedentes com mais cuidado e pelo facto de ter sido manipulada e enganada da maneira como fui”, afirmou.

A princesa, de 52 anos, garantiu ainda que desconhecia o historial criminal de Epstein.

“Não sabia que ele era um agressor sexual ou abusador”, disse, acrescentando que, caso tivesse tido essa informação, não teria mantido contacto.

As declarações surgem numa altura em que os ficheiros Epstein, divulgados em janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, estão a gerar polémica na Noruega. Os documentos mencionam várias figuras de destaque da sociedade norueguesa, incluindo a própria princesa e um ex-primeiro-ministro.

Segundo os documentos, Mette-Marit, mulher do príncipe Haakon, herdeiro do trono, surge referida perto de mil vezes em trocas de emails entre 2011 e 2014.

“Era amigo de um amigo próximo meu”

A própria confirmou que conheceu Epstein nesse período.

“Era amigo de um amigo próximo meu”, explicou, sublinhando que a relação foi “amigável” e rejeitando qualquer intimidade.

Entre as mensagens divulgadas está um email de 2011 em que a princesa escreve: “Pesquisei-te no Google depois do último email. Concordo, não pareceu bem :)”. Questionada sobre o significado, admitiu não saber ao certo.

“Gostava de ter acesso ao resto da correspondência”, disse, assegurando que, “se tivesse encontrado informações que indicassem que ele era um abusador e agressor sexual, não teria colocado um emoji sorridente”.

Os ficheiros revelam ainda que Mette-Marit esteve durante vários dias, em janeiro de 2013, na casa de Epstein em Palm Beach, na Florida. A princesa justificou a estadia com o facto da residência ter sido emprestada a um amigo comum.

“É uma das coisas sobre as quais mais refleti desde que os abusos se tornaram conhecidos, em 2019”, afirmou, visivelmente emocionada. “Tenho um sentimento de culpa em relação às vítimas. É algo muito difícil para mim.”

“A Mette é carinhosa, sábia e muito forte”

A entrevista, transmitida esta sexta-feira, surge após semanas de pressão pública e política, incluindo por parte do primeiro-ministro Jonas Gahr Støre.

Gravada na residência oficial do casal, em Skaugum, perto de Oslo, contou também com a presença do príncipe herdeiro Haakon, que declarou apoio à mulher, frisando que o casamento é para “os bons e os maus momentos”.

“A Mette é carinhosa, sábia e muito forte. E é por isso que a terei sempre ao meu lado quando algo difícil acontecer”, disse.

No final da entrevista, a princesa revelou que a amizade com o magnata terminou em 2014, depois de se sentir manipulada e de perceber que Epstein “não era uma boa pessoa”. Além disso, mencionou um episódio em que o magnata “se portou de uma maneira que não gostou”, referindo-se a um telefonema feito ao seu marido.



SIC Noticias

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