No concelho do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto que é conhecido como “capital do inox” e considerado uma referência da metalomecânica de precisão, Nuno Melo dirigiu um encontro “pedagógico” em que obteve da autarquia local, de duas entidades ligadas à formação profissional e da Associação Empresarial de Cambra e Arouca o compromisso de funcionarem como intermediários entre entidades da tutela e fábricas, para assegurar que essas tomam conhecimento “em tempo real” das oportunidades de negócio envolvendo as Forças Armadas.
“Durante 30 anos não se investiu na Defesa nacional”, declarou o governante. “Agora as empresas portuguesas podem estar no circuito de produção ou, pelo menos, de manutenção da indústria da Defesa”, afirmou, defendendo que está em curso uma “renovação do arsenal” militar português destinada a substituir equipamento como “blindados obsoletos e fragatas em fim de vida”.
Nesse contexto, o propósito do encontro foi assegurar que as oportunidades existentes chegam ao conhecimento da indústria nacional. “Se os empresários não souberem quais são as oportunidades que existem, eles próprios muitas vezes não conseguem direcionar o investimento para estas áreas e por isso é que digo que esta é uma revolução que está em curso”, explicou o governante.
Moldes, cablagens, pintura, metalomecânica, serviços de informática, tecnologias de informação, proteção balística, têxteis à prova de metal, radares e rações de combate são algumas das áreas que Nuno Melo apontou como “transversais a qualquer produção” no setor da Defesa e para as quais reconheceu capacidade industrial em Vale de Cambra, atendendo a que o município “está preparado há muito” para entrar nesse domínio de atividade.
“O distrito de Aveiro, aliás, é um bocadinho como Portugal devia ser do ponto de vista do empreendedorismo e, de facto, extraordinário, porque as pessoas veem as oportunidades, fazem-se à vida, investem, arriscam e depois têm resultados com empresas que são de ponta em diferentes áreas e de classe global”, realçou.
No mesmo encontro participou também o responsável da Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa, António José Baptista, que revelou que, para uma empresa concorrer às oportunidades de negócio no universo militar, o primeiro passo deve ser a sua credenciação no Gabinete Nacional de Segurança, que atestará a idoneidade da firma após verificação de aspetos como o registo criminal de todos os elementos da estrutura acionista.
A fase seguinte será a certificação da empresa como apta a produzir para a Defesa, o que compete à referida Direção-Geral de Armamento e envolve o que o próprio António José Baptista classificou como “um processo moroso”, devido a fiscalizações de segurança destinadas a acautelar espionagem e outros conflitos de interesses.
Depois disso há então que seguir os anúncios da plataforma idD — Portugal Defence, onde são publicados os concursos públicos relativos a compras das Forças Armadas.
Notando que um dos critérios de seleção nesses procedimentos é “o retorno para a economia nacional”, o governante salientou, contudo, que a produção destinada a satisfazer as solicitações dos militares portugueses pode ter um mercado mais abrangente, já que as empresas certificadas como fornecedoras da Defesa têm obrigatoriamente que cumprir os parâmetros produtivos da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que integra atualmente 32 países.
Nesse sentido, há potencial de negócio mesmo em pequenos componentes — que até são menos exigentes em termos de licenciamento — e é por isso que Nuno Melo quer as associações empresariais a sensibilizarem as fábricas para oportunidades que podem servir o mundo inteiro, mas serão particularmente úteis na Europa, face à perda de antigos aliados e à necessidade crescente de autonomia militar.
“Temos que fazer mais do que fazíamos pela Defesa na NATO”, afirmou o ministro. “Porque a primeira preocupação que um estado deve ter é que, se os nossos militares forem chamados a combater – e esses serão em primeiro lugar os nossos jovens -, eles tenham as melhores condições para sobreviver. Quando falhar tudo o resto, quem lá estará serão os militares”, concluiu.
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