Cultura

Dispositivo pioneiro permite que doentes com lesões na medula espinal recuperem mobilidade das mãos


Olhares pelo Mundo

A China autorizou a comercialização do primeiro dispositivo médico invasivo de interface cérebro-computador (BCI) do mundo, uma tecnologia que poderá permitir a doentes tetraplégicos recuperar a função das mãos através de sinais cerebrais.

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A aprovação foi concedida pela Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA), que considera o equipamento um avanço pioneiro a nível global, ao preencher uma lacuna clínica até agora sem resposta eficaz.

O dispositivo, designado “sistema implantável de interface cérebro-computador para compensação da função motora da mão”, destina-se a doentes com lesões na medula espinal, especialmente em casos de tetraplegia. Através da leitura e análise de sinais cerebrais, o sistema permite restabelecer a capacidade de preensão manual, ligando o cérebro a dispositivos externos.

Classificado como dispositivo médico de Classe III (a categoria de maior exigência regulatória), este é o primeiro equipamento invasivo deste tipo a chegar ao mercado.

Nova esperança de recuperação, maior autonomia e qualidade de vida

Para muitos destes doentes, sobretudo quando a lesão ocorreu há mais de um ano, a recuperação neurológica é extremamente limitada. A nova tecnologia surge, por isso, como uma potencial mudança de paradigma, abrindo caminho a maior autonomia e qualidade de vida.

Na China, estima-se que existam cerca de 3,74 milhões de pessoas com lesões na medula espinal, com aproximadamente 90 mil novos casos por ano. A nível global, o número ultrapassa os 15 milhões de doentes, sendo que mais de 70% têm menos de 50 anos.

Do ponto de vista técnico, o dispositivo consegue captar sinais de eletroencefalograma sem entrar diretamente em contacto com o tecido cerebral nem danificar neurónios, o que permite minimizar o trauma cirúrgico e garantir estabilidade e fiabilidade a longo prazo.

Para o regulador chinês, trata-se de um marco na medicina moderna, com potencial para transformar o tratamento de doentes com paralisia e redefinir o futuro dos dispositivos de interfaces entre o cérebro humano e a tecnologia.



SIC Noticias

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