A crise habitacional está a intensificar-se na Madeira. Funchal é já uma das cidades com as casas mais caras do país e os preços continuam a subir. Há cada vez mais famílias sem sítio para viver.
Loading…
Há quase dois meses que Paula e os dois filhos adolescentes andam com as malas às costas, a viver em pensões e sem saber o que será o futuro.
O companheiro morreu em setembro, os herdeiros deram até janeiro para deixar a casa e a família não teve outra solução senão recorrer à linha de emergência. A Segurança Social encontrou vaga na pousada da juventude do Porto Moniz, mas os filhos estavam na escola em Santa Cruz e faltaram às aulas. Agora estão no Funchal, num hotel, mas o prazo está a terminar.
A família depende apenas de um ordenado, que não dá para pagar as rendas acima dos 900 euros, o valor médio por T1 no Funchal. A Segurança Social prometeu apoio e já foi ver quatro casas, só que conseguir um contrato é complicado.
Por enquanto, Paula está num hotel no centro do Funchal e vai buscar as refeições à Associação Protetora dos Pobres, uma vez que o dinheiro não chega para comer fora e o apoio é apenas para o alojamento.
A história de Paula é mais uma nas muitas que chegam à Investimentos Habitacionais da Madeira. Leonel Silva, presidente da empresa que gere a habitação pública na Madeira, admite que são cada vez mais as famílias a pedir ajuda ao Governo.
Sejam por ações de despejo, falta de condições das casas ou até violência doméstica, o problema é sempre o mesmo: não ter dinheiro para pagar as rendas. E o programa de renda reduzida – que já entregou mais de 500 casas e irá entregar mais 275 até junho – tem mais de 2.500 inscritos.
Cerca de 6% do parque habitacional da Madeira é público, mais do que a média nacional, mas pouco para uma região onde a construção de casas de luxo, com preços acima do milhão de euros, é um negócio florescente. Parte da habitação coletiva está em alojamento local e o resto tem rendas altas.
