Cultura

Jovem de Santa Maria da Feira julgado por 243 crimes na internet incluindo massacre no Brasil


Justiça

O jovem criou um grupo online em várias plataformas para disseminar conteúdo violento, recrutar jovens e incitar crimes, tendo conseguido influenciar um adolescente brasileiro de 16 anos a atacar colegas na escola. O julgamento decorre à porta fechada com alegações finais marcadas para março.

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Um jovem de Santa Maria da Feira começou esta quinta-feira a ser julgado por 243 crimes cometidos através da internet. Entre eles um massacre que aconteceu em 2023 numa escola do Brasil, que fez um morto e três feridos.

O jovem português está acusado de vários crimes, que vão do homicídio qualificado, à associação criminosa, pornografia de menores ou incitamento ao ódio e violência.

Segundo o despacho do Ministério Público a que a SIC teve acesso, o jovem é suspeito de ter criado um grupo online que servia para disseminar conteúdo violento.

Esse grupo nasceu no Discord, mas também operava no Telegram, TikTok, Instagram e Facebook. O conteúdo partilhado incluía ficheiros de pornografia de menores, propaganda de extrema-direita, atos de automutilação, incitamento ao suicídio e homicídios em massa em contexto escolar.

O português criou o grupo com o propósito de recrutar jovens com gostos semelhantes pelo culto da violência e de criar neles a vontade de praticarem crimes para obterem reconhecimento perante o líder do grupo e a comunidade virtual.

Os atos violentos eram filmados com o telemóvel e transmitidos em direto mediante o pagamento de uma taxa de visualização. O objetivo era angariar o maior numero de seguidores.

Um desses seguidores, um rapaz brasileiro de 16 anos, vítima de bullying, identificou-se com o grupo criado pelo português e foi incentivado a matar elementos da escola que frequentava, no estado de São Paulo.

O massacre de Sapopemba, como ficou conhecido, resultou na morte de uma estudante em outubro de 2023. Outros três alunos ficaram feridos.

Segundo o Ministério Público, o arguido, que responde por 243 crimes, não tem qualquer doença psiquiátrica, atuou de forma livre, voluntária e consciente.

No primeiro interrogatório após a detenção, que determinou a prisão preventiva, a juíza de instrução criminal afirmou que o jovem mostrou total indiferença e desprezo pelos crimes que cometeu, que revelou uma energia criminosa e que o que fez revela que tem ideias extremistas e radicais enraizadas.

O julgamento, que começou na manhã desta quinta-feira em Santa Maria da Feira, vai decorrer à porta fechada. As alegações finais estão marcadas para 12 de março.



SIC Noticias

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