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Dois meses depois da tempestade, há moradores de Leiria ainda sem luz e comunicações


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Quase dois meses depois da tempestade, ainda há quem continue sem eletricidade e sem comunicações. No distrito de Leiria, os moradores queixam-se da falta de respostas por parte das operadoras e das autoridades.

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Sem eletricidade desde 28 de janeiro, Maria Rodrigues não consegue tirar água do furo que abastece a sua casa. A única alternativa para regar a horta e cuidar dos animais é acartar baldes de água de uma casa vizinha.

“Vi e fiquei surpreendida por receber uma carta da luz sem utilizar e sem ter luz na própria casa. Deixei estragar toda a carne que tinha na minha arca. Não tenho frigorífico, não tenho arca, nem televisão, não tenho nada”, contou Maria Rodrigues.

A fatura chegou com o mesmo valor, mas a proprietária recusa-se a pagar por um serviço que não usufruiu.

“Já fui reclamar várias vezes. Liguei na quinta-feira para as avarias e expus o meu caso. Disseram-me que em quatro horas estaria resolvido. Hoje é sábado e estou na mesma”, acrescentou.

Maria Luísa Vieira também continua sem respostas. Desde a noite da tempestade não tem rede fixa, internet nem televisão.

“Sou viúva e faz-me falta. É uma companhia, a televisão. Dois meses é demasiado. Uns têm, outros não têm. Acabamos por não saber o tempo, nem o dia, nem a hora”, desabafou.

A situação repete-se na casa de Helena Portela, que se viu obrigada a comprar um rádio a pilhas e uma antena portátil para se entreter, mas a fatura da operadora continua a chegar com os mesmos valores.

“Já saíram débitos do banco, já fui reclamar várias vezes e, recentemente, estive uma hora e meia ao telefone com a operadora, sem que me dessem qualquer resposta”, afirmou.

Para quem trabalha a partir de casa, a falta de serviços essenciais agrava ainda mais as dificuldades.

“Uma pessoa que vive em pleno século XXI, como eu, enfrenta enormes dificuldades sem Internet e televisão. Trabalho com computadores e preciso deles para o meu dia a dia. Torna-se complicado gerir como e onde vou trabalhar”, explicou Bruna Norte.

Segundo a ANACOM, mais de 30 mil clientes continuam com problemas na rede fixa. Para muitos moradores das zonas afetadas pela tempestade, a normalidade ainda está longe de ser uma realidade.



SIC Noticias

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