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Comerciantes de Alcácer do Sal continuam sem apoios um mês e meio após as cheias


País

Um mês e meio depois das cheias em Alcácer do Sal, há comerciantes a tentar regressar à normalidade, mas mais de uma centena de estabelecimentos continuam encerrados. O Governo prometeu apoios, mas o dinheiro ainda não chegou.

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O quiosque de Jorge Pinto, na Avenida dos Aviadores, em Alcácer do Sal, ficou completamente coberto pelo rio Sado. Assim que a água recuou, o proprietário recuperou o espaço e reabriu portas.

“Muito trabalho, muito, mas muito. Foi praticamente deitar tudo fora e voltar a adquirir material novo, recomeçar tudo de novo”, explicou.

Também uma pastelaria na marginal reabriu, depois de a água ter atingido cerca de dois metros de altura. A recuperação implicou um grande esforço financeiro.

“O nosso espaço é relativamente novo, tem três anos, e tivemos de enviar os equipamentos para os fornecedores para reparação ou substituição. Ficaram alguns ordenados por pagar, mas tivemos de canalizar o dinheiro para reabrir”, referiu Tânia Flamingo.

Os dois estabelecimentos fazem parte de pouco mais de uma dezena que já reabriram. No entanto, o investimento saiu do próprio bolso, uma vez que os apoios ainda não chegaram.

“Tudo com o meu dinheiro. Até agora ainda não houve apoio de ninguém”, garantiu Jorge.

“Faço um apelo urgente, porque há muitos comerciantes que precisam realmente deste apoio para conseguir abrir”, acrescentou Tânia.

É o caso de uma loja de acessórios e decoração.

“Como é que vou conseguir reabrir a loja? Preciso de recheio. Tenho prateleiras e balcão, mas não sei se consigo recuperar, é quase impossível”, disse Maria Tomás.

O recheio dos espaços comerciais ficou praticamente todo destruído e, um mês depois, as paredes continuam com muita humidade.

“Gostaria de abrir no final da semana, mas é impossível. Agora é a limpeza do chão, limpar paredes porque está tudo a cair, montar móveis e resolver a parte da eletricidade que ainda falta”, referiu Piedade Silva, proprietária de um cabeleireiro.

Ricardo Carraça, proprietário de um restaurante, descreveu também as dificuldades:

“As paredes foram pintadas, mas voltam a ficar cheias de humidade. Temos dois desumidificadores que estão sempre cheios e que esvaziamos duas vezes por dia, porque as paredes têm muita água.”

Os comerciantes fazem tudo o que podem para tentar reabrir os negócios.

“Já estamos perto dos 200 mil euros em investimento, tudo meu, com recurso a empréstimos bancários”, acrescentou Ricardo Carraça.

A zona comercial apresenta-se agora com cerca de 100 estabelecimentos encerrados há mais de mês e meio. Nem as companhias de seguros conseguem dar resposta.

As seguradoras também continuam sem indemnizar os segurados. A informação que tenho é que, ao nível do município, passa-se o mesmo e as pessoas não têm capacidade”, afirmou a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos.

Quem depende deste comércio tenta manter a atividade enquanto aguarda pelas ajudas prometidas.

A SIC sabe que o Governo ainda não fez a transferência do valor para a CCDR Alentejo. Será a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional a avançar com 250 mil euros para pagar os apoios das candidaturas já validadas.



SIC Noticias

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