As assembleias de voto abriram hoje na Eslovénia às 06:00 TMG para umas eleições nas quais 1,7 milhões de votantes decidirão entre manter no poder o europeísta Robert Golob ou apoiar o regresso do “trumpista” Janez Jansa.
As últimas sondagens apontam para um resultado renhido entre o partido no poder, o Movimento pela Liberdade (GS) de Golob, e o Partido Democrático Esloveno (SDS) de Jansa, bem como entre os dois blocos que estes lideram, o de centro-esquerda e o conservador, sem que nenhum dois deva obter a maioria absoluta no Parlamento de 90 lugares.
O que dizem as sondagens?
As últimas sondagens apontam para uma ligeira vantagem a favor de Golob, um liberal de 59 anos, e do seu bloco de centro-esquerda, embora há alguns dias fosse Jansa quem liderava.
Seja quem for o vencedor, prevê-se que seja muito difícil que qualquer um dos dois consiga reunir o apoio mínimo de 46 assentos parlamentares para governar e, no final, poderá ser que a última palavra caia nas outras cinco formações que se prevê que ultrapassem o limiar eleitoral de 4% dos votos, mínimo para a eleição de um deputado.
Jansa, de 67 anos, foi primeiro-ministro em três mandatos (2004-2008; 2012-2013; e 2020-2022), é um admirador do Presidente dos EUA, Donald Trump, e mantém boas relações com o chefe do Governo de Israel, Benjamin Netanyahu.
A reta final da campanha foi ensombrada pelas acusações do Governo contra uma suposta ingerência de uma empresa privada de espionagem israelita, alegadamente ligada a Jansa.
Os serviços secretos eslovenos (Sova) afirmaram na sexta-feira ter provas de que, em dezembro passado, Jansa se reuniu com três membros da empresa de espionagem israelita Black Cube, cujas atividades classificaram como “ingerência estrangeira” nas eleições.
Com isto, a inteligência eslovena confirmou grande parte das acusações apresentadas na última segunda-feira por um jornalista de investigação e vários especialistas independentes segundo as quais, a pedido de Jansa, a Black Cube organizou nas últimas duas semanas uma campanha para desacreditar o governo de Golob.
Há cerca de duas semanas, começaram a surgir nas redes sociais conversas gravadas secretamente com personalidades próximas do governo de Golob, que supostamente revelariam práticas de clientelismo e corrupção.
Algumas das pessoas que aparecem nessas fugas de informação afirmam que as gravações foram feitas durante encontros com supostos investidores estrangeiros e que o conteúdo foi manipulado e descontextualizado para dar a imagem de uma atividade ilegal.
Embora Jansa tenha admitido que conhecia o ex-conselheiro de segurança nacional israelita Giora Eiland, um dos dirigentes da Black Cube, e que este o visitou em Ljubliana, o político afirmou que nunca tinha ouvido falar na empresa, nem solicitou os seus serviços em relação às eleições.
Os serviços secretos eslovenos revelaram, porém, que membros da Black Cube visitaram Ljubliana por três vezes e que, pelo menos, no dia 11 de dezembro, Eiland, juntamente com o fundador e diretor executivo da empresa, Dan Zorella, permaneceram “durante um período prolongado” na sede do SDS.
O primeiro-ministro classificou o caso como o maior escândalo político da história do país e solicitou também a Bruxelas que o investigasse enquanto presumível ingerência estrangeira nas eleições eslovenas.
O Executivo de Golob destacou-se pelas críticas a Israel pelos ataques contra a população civil em Gaza, na sequência da ofensiva terrorista do grupo islamista palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
Em coordenação com outros países europeus, entre eles a Espanha, o governo de Golob exigiu a entrada sem obstáculos de ajuda humanitária na Faixa de Gaza e reconheceu o Estado da Palestina em 2024.
As eleições parlamentares deste ano serão as décimas na história da Eslovénia independente (1991), um país alpino e adriático com 2,1 milhões de habitantes que, desde 2004, é membro da União Europeia (UE) e da NATO.
As eleições decorrerão até às 18:00 TMG, esperando-se que pouco depois sejam divulgadas as primeiras sondagens à boca das urnas.
