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O regresso da rubrica Castelos de Portugal faz-se pelo Alto Minho, uma região marcada por séculos de história e fronteiras disputadas. Visitámos o Paço de Giela, em Arcos de Valdevez, e o Castelo de Lindoso, dois monumentos que guardam memórias de um passado de lutas e transformações.
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O Paço de Giela, localizado nas imediações de Arcos de Valdevez, é um símbolo da história local e de um povo que se foi construindo ao longo dos séculos. Ao contrário do Castelo de Santa Cruz, que foi perdido no tempo, o Paço de Giela resistiu e permanece como um testemunho vivo dessa memória.
O papel militar do Paço de Giela foi pouco estudado até há pouco mais de uma década, quando começaram a ser descobertas as fundações mais sólidas que datam do século XIV, com a construção da torre.
Foi a partir deste espaço que a família Lima exerceu o poder concedido pela coroa, e a estrutura do Paço evoluiu ao longo dos séculos. O aumento das áreas habitacionais e a inclusão de uma janela manuelina são exemplos das modificações que o Paço sofreu ao longo do tempo.
Já em ruínas no século XX, o Paço de Giela foi reabilitado em 2015 e transformado num espaço cultural, oferecendo aos visitantes uma montra de uma história que, em Arcos de Valdevez, poderia ter seguido um rumo bem diferente, caso não tivesse ocorrido o choque entre os primos Afonso VII de Leão e Castela e Afonso Henriques.
Embora o Paço tenha sido usado principalmente como habitação, não ficou alheio aos conflitos da época. Durante a Restauração, foi ocupado pelo general invasor Baltazar Pantoja, que, após tentar tomar o Castelo de Lindoso, acabou por conquistá-lo em 1662. O período de ocupação espanhola foi curto, mas suficiente para que os espanhóis construíssem parte dos baluartes mais modernos da fortificação. Contudo, foram os portugueses que acabaram por beneficiar dessa construção.
A história bélica da região remonta a tempos mais antigos. Antes do Castelo de Lindoso, o Castelo da Nóbrega, hoje desaparecido, era o grande baluarte de D. Afonso Henriques. Foi já Afonso III, ao longo do rio Lima, que reforçou a fronteira contra Espanha, estabelecendo uma fortificação defensiva que viria a marcar a região.
Hoje, o Castelo de Lindoso evoca mais a tranquilidade do seu entorno, junto ao maior conjunto de espigueiros da Península Ibérica, do que o clima bélico do passado. Desde o ano passado, o Castelo passou a ter novas valências e oferece aos visitantes a oportunidade de mergulhar na sua história e na natureza que o envolve.
