Agronegócio

Rewilding ganha espaço na agenda das empresas portuguesas


A regeneração de ecossistemas naturais está a começar a ganhar um novo lugar na agenda das empresas. Cada vez mais organizações olham para iniciativas de rewilding não apenas como ações ambientais, mas como parte de uma visão estratégica ligada à sustentabilidade, à gestão de risco e às exigências crescentes dos critérios ESG.

Nos últimos anos, temas como biodiversidade e regeneração territorial passaram a integrar de forma mais clara a agenda empresarial, impulsionados pelas exigências ESG, pela pressão regulatória e pela crescente atenção de investidores e stakeholders.

É neste enquadramento que surge a colaboração entre a UPPartner e a Rewilding Portugal, organização que desenvolve projetos de regeneração ecológica no Grande Vale do Côa, uma das regiões mais ricas em biodiversidade da Península Ibérica. Através desta parceria, a UPPartner apoia a comunicação de iniciativas focadas na recuperação de habitats naturais, na reintrodução de espécies e na valorização de atividades económicas locais ligadas à natureza.

Para a UPPartner, esta colaboração enquadra-se na abordagem One Health, que reconhece a interdependência entre saúde humana, saúde animal e saúde ambiental.

“Durante muito tempo as iniciativas ambientais foram vistas sobretudo como ações de responsabilidade social. Hoje começam a ser entendidas como decisões estratégicas. Investir na regeneração de ecossistemas é também uma forma de antecipar novas exigências ESG, contribuir para a resiliência dos territórios e reforçar a ligação entre empresas, comunidades e natureza”, sublinha Bernardo Soares, responsável pela área One Health da UPPartner.

No Vale do Côa, os projetos de rewilding procuram recuperar paisagens naturais degradadas, reforçar populações de espécies-chave e restaurar o equilíbrio ecológico da região. Este trabalho é desenvolvido em estreita ligação com a comunidade local, envolvendo proprietários, produtores e diferentes agentes do território. Para além da recuperação ambiental, o objetivo passa também por criar condições para novas atividades económicas compatíveis com a conservação da natureza, como o turismo de natureza, a apicultura ou outras iniciativas ligadas à valorização do território. Desta forma, a regeneração ecológica contribui não apenas para a proteção da biodiversidade, mas também para a dinamização económica e social das comunidades locais.

A crescente atenção ao rewilding surge também num momento em que as empresas enfrentam novas exigências em matéria de sustentabilidade. A integração de fatores ambientais nas decisões estratégicas deixou de ser apenas uma questão de reputação, passando a estar ligada à gestão de risco, à criação de valor e à capacidade de adaptação a um contexto económico e ambiental em rápida transformação.

“Quando falamos de regeneração ecológica estamos a falar de muito mais do que natureza. Estamos a falar de territórios, de comunidades e da forma como pensamos o desenvolvimento económico no longo prazo. A comunicação pode ajudar a tornar estes projetos mais visíveis, mais compreensíveis e, sobretudo, mais replicáveis”, acrescenta Bernardo Soares.

À medida que os critérios ESG ganham peso nas decisões empresariais, iniciativas ligadas à regeneração de ecossistemas e à proteção da biodiversidade deverão ganhar maior relevância na estratégia das organizações.

A experiência no Vale do Côa mostra que o rewilding pode ser não apenas uma resposta ambiental, mas também uma oportunidade para repensar a relação entre empresas, território e natureza, contribuindo para modelos de desenvolvimento mais equilibrados e sustentáveis.

Fonte: UPP



AgroPortal

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