Cultura

“A quem tem filhas sugiro que as inscrevam em jiu-jitsu, krav maga ou aulas de pontapé nos testículos: é a melhor forma de eliminar o homem”

Aqui Há Crime

Da ficção à realidade, como se contam e consomem as histórias de crime? Por que motivo são as mulheres que mais lêem policiais, ouvem podcasts de true crime ou vêem documentários sobre criminosos? As respostas estão em mais um debate do podcast “Aqui Há Crime”. Em estúdio, para o último episódio desta temporada, juntam-se à conversa, com Júlia Pinheiro e a jornalista do Expresso Marta Gonçalves, Neuza Patuleia, psicóloga clínica e forense, e Hugo Gonçalves, escritor e guionista

Por trás de um crime há sempre uma história. Quem é o culpado? Quem é ou são as vítimas? Porque aquilo aconteceu? Como, quando e onde? Aquilo que geralmente definimos como “curiosidade mórbida” não significa “que há um gosto pela violência ou por acontecimentos negativos e macabros”. A explicação é dada por Neuza Patuleia, psicóloga clínica e forense no nono episódio do podcast “Aqui Há Crime”, com Júlia Pinheiro e a jornalista do Expresso Marta Gonçalves.

Nuno Fox

“Envolve a curiosidade sobre perceber o comportamento humano, o que é que leva em determinadas situações a ultrapassar-se determinados limites relativos à natureza humana. Também nos confronta com a nossa vulnerabilidade”, diz. “Outra das questões que a literatura aponta sobre o interesse pelo true crime é a necessidade de encontrar, de alguma forma, uma aprendizagem preventiva sobre o risco. E, não sendo exclusivo, sabemos que existe muito crime associado à figura feminina e, portanto, este interesse, no caso das mulheres, acaba por ir ao encontro desta necessidade, ainda que possa favorecer uma sensação completamente ilusória de segurança. Há esta sensação de que se eu compreender porque é que determinados crimes acontecem, vou acabar por estar mais atento a determinadas ameaças mais atento a determinados sinais de risco e, consequentemente, estar mais preparado para lidar com situações de perigo.”

Também Hugo Gonçalves, escritor e guionista, participa neste debate. E deixa uma sugestão: “A quem tem filhas, sugiro que as inscrevam no jiu-jitsu, krav maga ou em aulas de pontapé nos testículos: é a melhor forma de eliminar um homem”.

Hugo Gonçalves, escritor e guionista, e Neuza Patuleia, psicóloga

Nuno Fox

Autor de “Deus, Pátria e Família” e “Revolução”, dois romances onde mergulha na realidade da ditadura portuguesa, enquanto desenvolve histórias e personagens ficcionadas, sublinha que em regimes autoritários dificilmente se produzem obras policiais. “Há algo de subversivo no género policial, é alguém que está à procura da verdade. Se colocar um detetive à procura da verdade, quando o que mais interessa à propaganda é a mentira, e o controlo da população é quase total, há algo de subversivo”, diz. E continua: “Não há muitos países que durante a ditadura produzam muitos romancistas policiais, porque a ordem instituída tende a considerá-los subversivos. É muito engraçado que hoje os saudosistas falem da ditadura como um lugar impoluto, sem corrupção… As pessoas não têm ideia da violência que existia em Portugal nos anos 30, 40 e 50. Violência doméstica, morte de crianças, homicídios em família”.

Nuno Fox

Contámos ainda a história de amor que uniu Maria das Dores e Paulo Pereira da Cruz: duas pessoas que deixaram tudo, mudaram de vida e recomeçaram do zero só para ficarem juntas e se transformaram em duas pessoas que não se suportavam. Veio o ciúme, o desrespeito, os problemas, os insultos… E, por fim, Maria das Dores ordenou a morte do marido.

Pelo meio destas histórias, fomos ouvindo quem mais sabe sobre os bastidores do crime: das autópsias às limpezas de locais de morte, passando por tentar compreender a cabeça de quem mata e de quem tanto se interessa por estes fenómenos. Falamos sobre realidade e também de ficção.

“Aqui Há Crime” é o podcast narrativo da SIC sobre os crimes que marcaram o país. É conduzido e narrado por Júlia Pinheiro, tem a produção, entrevistas e narração de Marta Gonçalves, a sonoplastia e a banda sonora são de João Luís Amorim. A capa é de Tiago Pereira Santos com fotografia de José Fonseca Fernandes. A coordenação desta série é de Joana Beleza e direção de Daniel Oliveira.



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