Num livro impactante, o comissário da Food and Drug Administration (FDA), Marty Makary, denuncia décadas de desinformação sobre as gorduras saturadas, que terão prejudicado a saúde de milhões de pessoas. De acordo com Makary, a demonização das gorduras, especialmente as presentes em alimentos naturais como a carne, foi impulsionada por interesses comerciais da indústria do açúcar, com a cumplicidade de alguns cientistas influentes (Enes, 2026). Estas revelações lançam uma nova luz sobre o verdadeiro papel das gorduras numa dieta equilibrada e questionam dogmas há muito estabelecidos.
Segundo Makary, a indústria do açúcar foi a grande orquestradora da campanha contra as gorduras saturadas. Através do financiamento de estudos tendenciosos, o setor conseguiu desviar a atenção dos malefícios dos seus próprios produtos. “A indústria do açúcar pagava discretamente aos cientistas que demonizavam a gordura”, afirma o comissário no seu livro “Cegueira Clínica” (Enes, 2026). Esta estratégia não só protegeu os lucros do setor açucareiro, mas também abriu caminho para o aumento do consumo de alimentos processados ricos em açúcar.
A narrativa anti-gordura, promovida por interesses comerciais, teve consequências desastrosas para a saúde pública. De acordo com Makary, esta “fraude científica” levou a um aumento alarmante de doenças evitáveis e mortes prematuras (Enes, 2026). A proliferação de produtos “low-fat” carregados de açúcar refinado contribuiu para uma epidemia de obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares. Ironicamente, as recomendações oficiais baseadas em ciência viciada acabaram por prejudicar a saúde de populações inteiras.
Felizmente, a ciência está a corrigir estes erros do passado. Grandes revisões de estudos, conhecidas como meta-análises, não encontraram uma ligação direta entre o consumo de gorduras saturadas e um maior risco cardiovascular (Siri-Tarino et al., 2010; Chowdhury et al., 2014). Pelo contrário, padrões alimentares que incluem gorduras naturais, como a dieta mediterrânica, mostraram benefícios para a saúde do coração (Estruch et al., 2018). Até mesmo diretrizes oficiais nos EUA e na Europa já admitem que gorduras saturadas de fontes não processadas podem fazer parte de uma alimentação saudável (U.S. Department of Agriculture and U.S. Department of Health and Human Services, 2020; European Food Safety Authority, 2021).
Neste contexto, é crucial reabilitar o papel nutricional da carne, injustamente prejudicada pela fobia às gorduras. As carnes fornecem proteínas de alta qualidade, vitaminas do complexo B, minerais essenciais e até gorduras benéficas como o ácido linoleico conjugado, que ajuda na gestão metabólica (CLA) (Daley et al., 2010; McAfee et al., 2010). Consumidas com moderação,as carnes promovem saciedade, preservam a massa muscular e facilitam o controlo do peso, integrando-se perfeitamente num estilo de vida saudável (Wycherley et al., 2012).
Conclusão
As revelações do presidente da FDA sublinham a necessidade de uma nova abordagem em relação às gorduras saturadas e ao lugar das carnes na nossa dieta.
Apenas quando somos guiados por evidências científicas robustas, e não por dogmas ultrapassados, podemos abraçar um padrão alimentar que seja nutritivo, saboroso e protetor da nossa saúde a longo prazo.
Encontramo-nos ao vosso dispor para quaisquer esclarecimentos adicionais.
Fonte: APIC
