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Cada vez mais contratos prometem eletricidade “verde”, mas nem sempre é claro o que isso implica. Antes de confiar no rótulo, há detalhes importantes que deve conhecer. Neste novo episódio da rubrica “Minuto Consumidor” explicamos como funciona este sistema e o que deve ter em conta
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Muitos contratos de eletricidade em Portugal anunciam fornecimento de energia “100% renovável”. Mas a expressão levanta uma dúvida legítima: será que a eletricidade que chega a casa dos consumidores é, de facto, totalmente verde?
A resposta não é direta e passa por perceber como funciona o sistema elétrico e os mecanismos de certificação existentes.
Em primeiro lugar, importa ter em conta que toda a eletricidade produzida em Portugal circula através da mesma rede, não havendo uma separação física dos eletrões provenientes das fontes renováveis e dos que vêm de outras fontes. Assim, não é possível garantir fisicamente que um consumidor recebe da rede apenas eletricidade de origem renovável.
Ainda assim, existe um sistema que permite garantir que a eletricidade consumida corresponde a produção de origem renovável: as chamadas Garantias de Origem. Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), estas garantias “são documentos que têm como função demonstrar ao consumidor final de energia que parcela do seu consumo foi produzida com base em fontes renováveis”.
“As garantias de origem são assim títulos, emitidos, transacionados e cancelados de acordo com regras próprias, de modo a garantir integridade de todo o processo de comprovação das origens do consumo”, esclarece o organismo.
Cada certificado corresponde, regra geral, a uma unidade de energia produzida – tipicamente 1 megawatt-hora – e pode ser atribuído à eletricidade comercializada pelos fornecedores. Na prática, isto permite que um comercializador assegure que adquiriu energia renovável equivalente à que vende aos seus clientes.
Em Portugal, a emissão e gestão destas garantias está a cargo da REN – Redes Energéticas Nacionais, no âmbito de um sistema europeu comum que permite também a troca de certificados entre países.
Para o consumidor, a principal forma de verificar a origem da eletricidade contratada é através do chamado rótulo de energia elétrica. De acordo com a ERSE, os comercializadores são obrigados a divulgar esta informação de forma clara e acessível.
O rótulo apresenta o chamado “mix energético”, isto é, a percentagem de eletricidade proveniente de diferentes fontes, como hídrica, eólica, solar, gás natural ou nuclear (que Portugal não produz, mas existe em Espanha). Esta informação permite perceber qual a componente renovável associada ao contrato.
Segundo o regulador, o rótulo deve estar disponível na fatura de eletricidade, no site do comercializador e na documentação pré-contratual, sendo atualizado regularmente para refletir a energia efetivamente fornecida.
Portugal entre os países com mais eletricidade renovável na Europa
Os dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) mostram que Portugal é hoje um dos países europeus com maior incorporação de energias renováveis na eletricidade. Em janeiro de 2026, 75,9% da produção elétrica teve origem em fontes de energia renováveis (FER), com destaque para a hídrica e a eólica, que representam a maior fatia do total.
Segundo o mesmo organismo, em 2024, “Portugal foi o quarto país da União Europeia (UE-27) com maior incorporação de FER na produção de energia elétrica. Esta posição deve-se sobretudo às fontes hídrica e eólica que contribuíram com 71% para esta produção”.
“Na UE-27 o contributo das FER na produção de eletricidade evoluiu de 16,4% em 2005 para 47,5% em 2024, o que corresponde a um aumento de 177%. As tecnologias eólica e fotovoltaica foram as que mais contribuiram para este aumento”, escreve a DGEG.
O “Minuto Consumidor” é um projeto dedicado a esclarecer as suas dúvidas e ajudá-lo a tomar decisões mais informadas. Acompanhe no Expresso Online e na antena da SIC Notícias, nesta iniciativa com o apoio da Escolha do Consumidor.
Porque consumidores informados fazem melhores escolhas.
