A Águas das Caldas de Penacova, uma das principais empresas de fornecimento de água engarrafada do país, está a entrar em desespero. Há um mês e meio que a única estrada de acesso à unidade está condicionada, devido a uma derrocada provocada pelo mau tempo que assolou o país. As perdas na faturação já ascendem a 5 milhões de euros.
Tudo começou no dia 5 de fevereiro, altura em que Portugal, principalmente a zona Centro, foi devastada por um “comboio de tempestades”. Com as intensas chuvas que caíram no município, a única estrada de acesso à Caldas de Penacova sofreu um deslizamento severo da encosta e, por motivos de segurança, teve de ser encerrada.
Após semanas sem conseguirem exportar a mercadoria, “com 50% dos funcionários de férias e outros 50% a fazer limpezas”, como explicou o administrador da empresa, Urbano Marques, esta segunda-feira, 16 de março, ao Notícias ao Minuto, a empresa viu uma luz ao fundo do túnel no sábado, 14 de março, quando a estrada foi reaberta.
No entanto, horas depois da notícia, dada pela autarquia do distrito de Coimbra nas redes sociais, foram surpreendidos com dois sinais: só podem circular na estrada veículos até 7 toneladas.
“Qualquer veículo já tem cinco toneladas, com duas paletes fica com sete. Como podemos escoar o nosso produto assim? Nós fazíamos entre 35 e 86 cargas completas por dia. Agora nem 30 fazemos. Como vamos sobreviver se nem um terço do que fazíamos fazemos agora?”, notou o responsável.
Apesar de a Câmara Municipal já ter garantindo que esta é uma solução provisória, o problema está a colocar a Caldas de Penacova, uma das maiores empresas da área no país e a maior empregadora do município, numa situação delicada.
“Precisamos laborar, precisamos escoar. Não temos onde pôr os produtos. Os armazéns estão cheios. Esta paragem forçada de quase dois meses levou a uma quebra na faturação de entre 5 a 6 milhões de euros”.
A empresa, com 96 trabalhadores, pede assim às entidades competentes que resolva a situação o quanto antes. “Estão lá técnicos a fazer medições e há duas semanas que a estrada não sofre qualquer abatimento. Queremos fazer as coisas com segurança, que a situação continue a ser vigiada e analisada. Mas temos de começar a passar com a carga que fazíamos anteriormente para que a empresa sobreviva”, explicou Urbano.
O Notícias ao Minuto tentou falar com a autarquia que se mostrou indisponível para responder às nossas perguntas esta segunda-feira, remetendo mais esclarecimentos para amanhã, terça-feira, 17 de março.
Nas redes sociais, no sábado, 14 de março, a Câmara Municipal de Penacova emitiu uma nota a dar conta da reabertura “condicionada” da estrada em questão.
“Foi reaberta ao trânsito, a estrada de acesso à empresa Caldas de Penacova. A estrada estava encerrada desde o passado dia 5 de fevereiro após um deslizamento severo da encosta. A reparação da via foi iniciada no passado dia 4 de março, altura em ficaram reunidas condições de segurança para a execução dos trabalhos”, começou por contar.
No mesmo comunicado, a autarquia adiantou que, “também por razões de segurança, a plataforma de circulação foi encurtada e limitada a veículos até 7 toneladas”.
“A solução é provisória mas já permite, embora de forma condicionada, que a empresa possa começar a escoar a sua produção”, justificou.
“Ao mesmo tempo decorrem várias diligências para avançar com uma solução definitiva. No passado dia 23 de fevereiro, o presidente da câmara, Álvaro Coimbra reuniu com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz onde deixou claro que sem a ajuda do Governo, o município não tem recursos financeiros para reparar todos os estragos provocados pelas tempestades”, concluiu a Câmara Municipal.
PS exige reparação
Os deputados do PS eleitos por Coimbra exigiram, na semana passada “uma solução urgente e definitiva” para a estrada que serve a empresa de engarrafamento Águas das Caldas de Penacova, encerrada desde fevereiro devido a um deslizamento de terras.
“É necessária uma solução estrutural e definitiva para esta estrada, esperando que os apoios prometidos pelo Governo para resposta aos prejuízos das tempestades cheguem a esta intervenção tão necessária para a plena laboração da empresa”, alertaram os deputados socialistas Pedro Delgado Alves, Isabel Cruz e Pedro Coimbra, eleitos pelo Círculo Eleitoral de Coimbra.
Numa visita à Águas das Caldas de Penacova, feita na semana passada, os parlamentares constataram “o prejuízo que está em causa” e sublinharam a importância da estrada.
Segundo o site da Águas das Caldas de Penacova, esta é “uma importante empresa da região e líder de mercado a nível nacional no seu setor”.
Atualmente, conta com mais de 90 colaboradores, tendo embalado 248 milhões de litros de água em 2024.
