Um projeto-piloto na ilha Terceira, em parceria com farmácias comunitárias, procura identificar e erradicar um dos principais fatores de risco, a bactéria helicobacter pylori. Adesão é quase o dobro do esperado.

Regis Duvignau/Reuters
Na ilha Terceira, nos Açores, está a ser testada uma abordagem pouco comum em Portugal para atuar antes do cancro aparecer e que passa por rastrear, nas farmácias comunitárias, a infeção por helicobacter pylori, bactéria responsável por grande parte dos casos de cancro gástrico.
Em Portugal, morrem todos os dias cerca de três dezenas de pessoas por causa de cancros digestivos, o que justifica, na perspetiva do Centro Oncológico dos Açores (COA), o reforço da prevenção e do diagnóstico precoce. Foi essa a ambição que levou, em 2024, a criar o projeto-piloto em parceria com a Associação Nacional das Farmácias e Associação de Farmácias de Portugal, e que previa chegar a cerca de mil pessoas. De acordo com João Macedo, presidente do COA, esse número foi atingido rapidamente, tendo sido necessário redimensionar a iniciativa para alcançar cerca do dobro dos utentes.
Mais do que um rastreio ao cancro gástrico, o projeto pretende detetar precocemente a bactéria associada à doença oncológica e que se estima que esteja presente em 65% a 80% da população portuguesa. Quando é identificada, é oferecida aos utentes a possibilidade de a tratar para diminuir os fatores de risco para cancro.
Neste momento, e tendo em conta os resultados positivos alcançados até agora, o projeto-piloto avançou para a segunda fase, essencialmente concentrada na erradicação dos casos positivos. De acordo com o responsável pelo COA, a estratégia pode ser replicada e escalada, nomeadamente em outras ilhas do arquipélago dos Açores.
Numa publicação feita nas redes sociais do COA, confirma-se que “o objetivo é alargar o programas às restantes ilhas e servir de referência futura a nível nacional e europeu”.
Recorde-se que Portugal é um dos países europeus com maior incidência de cancro no estômago, uma doença facilitada pelo tipo de alimentação, pelo tabagismo e pelo consumo de álcool. Em 2022, foram registados 2.654 novos diagnósticos, a maioria entre homens.
