[
Quis o destino que o último golo do eterno camisola 20 do Liverpool fosse marcado no dérbi de Merseyside, frente ao Everton, tento solitário que deu a vitória aos ‘reds’. O jogador português viria a morrer três meses e um dia depois de ter balançado as redes de Anfield uma última vez.
Carl Recine
Quarta-feira, 2 de abril de 2025: os adeptos do Liverpool estavam longe de imaginar, mas seria o dia em que vibrariam uma última vez com um golo do português.
Lançado de início na frente de ataque por Arne Slot, o “menino de Gondomar” foi decisivo.
O cronómetro marcava 57 minutos quando, pelo corredor esquerdo, os homens de Liverpool encetaram um ataque.
À entrada da grande área, Diogo Jota, assistido por Luis Díaz, tirou um adversário da frente, fintou um segundo elemento da equipa do Everton e, da marca dos 11 metros, rematou rasteiro, atraiçoando o guardião rival, que seguiu na direção oposta do esférico.
Um movimento e um golo que tão bem caracterizavam Diogo Jota, uma última vez ali, no mítico Anfield, naquela noite de dia 2 de abril.
Como não poderia deixar de ser, o clube inglês, que imortalizou o número 20 em homenagem ao jogador que ainda antes da tragédia era já um dos mais acarinhados pela massa adepta, fez questão de partilhar o lance que viria a ficar na História, infelizmente pelas piores razões.
Três meses e um dia depois de os adeptos presentes em Anfield e o português terem festejado em uníssono, Diogo Jota e o irmão, André Silva, morreram num acidente automóvel, em Espanha.
Duas mortes totalmente inesperadas, que uniram na tristeza adeptos de todos os quadrantes clubísticos em Inglaterra, em Portugal e, em boa verdade, em todo o mundo.
De Gondomar para o topo de futebol
Com formação dividida entre o Gondomar FC e o Paços Ferreira, foi justamente na Capital do Móvel que Jota se estreou como sénior, na temporada 2014/2015.
Duas épocas depois, “deu o salto” ao ser contratado pelo Atlético de Madrid, mas seguiu de imediato por empréstimo para o FC Porto e, na época seguinte, para o Wolverhampton.
Em 2018/2019 assinou em definitivo pelo ‘Wolves’ e, após duas épocas em evidência no Molineux, chegou ao gigante inglês Liverpool.
Pelo meio, tornou-se presença constante na Seleção Nacional, tendo participado nas vitoriosas campanhas na Liga das Nações, em 2019 e 2025, bem como no Euro 2020 e no Euro 2024.
Uma lesão sofrida a cerca de um mês do arranque do Mundial do Qatar, em 2022, tirou-lhe a oportunidade de disputar um Campeonato do Mundo. Não fosse o problema físico, Jota teria sido, certamente, um dos escolhidos de Fernando Santos.
Com mais de 400 jogos disputados e 150 golos marcados, Diogo Jota deixou um legado de conquistas tangíveis, mas não só.
O amor demonstrando, em vida e após aquele fatídico 3 de julho, pelos adeptos dos emblemas que representou provam isso mesmo.
