A África do Sul lançou hoje uma campanha de vacinação em massa do gado para conter um surto de febre aftosa que ameaça interromper o abastecimento e as exportações de carne, laticínios e gado.
O surto, que começou a intensificar-se no final do ano passado e se espalhou rapidamente pela indústria pecuária do país, já afetou mais de 297 mil bovinos e resultou no abate de mais de 120 mil animais, enquanto os agricultores tentam conter a propagação, escreve a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
“A única estratégia que adotamos, em última análise, é a estratégia de vacinação em massa, porque assim podemos antecipar-nos à febre aftosa na África do Sul e garantir que conseguimos prevenir surtos, em vez de reagir a eles”, disse o ministro da Agricultura, John Steenhuisen, na cerimónia de distribuição de um milhão de vacinas entregues pela Turquia.
Mais vacinas devem chegar neste fim de semana, mas entre os agricultores há o receio de que o fornecimento seja muito inferior às doses necessárias para vacinar quase 12 milhões de bovinos.
O surto ameaça causar não só perda de emprego e milhões de dólares em receitas de exportação perdidas, uma vez que países como China e Zâmbia já proibiram as importações da África do Sul, mas também causar falta de carne no país.
A província costeira de KwaZulu-Natal foi identificada como o foco do surto, com mais de 17 mil explorações afetadas, tendo sido declarada uma catástrofe nacional, um quadro jurídico que permite ao Governo atribuir fundos de emergência que serão utilizados principalmente para adquirir vacinas.
O Tesouro Nacional já reservou cerca de 25 milhões de dólares (21,1 milhões de euros) para combater o surto, que serão utilizados principalmente para comprar vacinas.
“É uma epidemia que está fora de controlo, completamente fora de controlo”, disse o veterinário principal da maior produtora de carne no país, a Karan Beef, Dirk Verwoerd, acrescentando: “Há infeções desenfreadas a ocorrer em todas as províncias, diariamente há cada vez mais relatos, por isso o primeiro objetivo é garantir estabilidade e é por isso que precisamos de vacinar o rebanho nacional, a população nacional”.
O confinamento da Karan Beef em Heidelberg, uma zona perto de Joanesburgo, é o maior do país, cobrindo 2.300 hectares e podendo acomodar mais de 140 mil bovinos.
