Agronegócio

Alimentação Nacional sob Pressão


À semelhança do que sucedeu com o aumento significativo dos produtos alimentares, provocado pela guerra da Ucrânia, a CNJ – Confederação Nacional dos Jovens agricultores e Desenvolvimento Rural – entende que o Sr. Ministro da Agricultura e Mar deveria proceder à convocatória extraordinária da PARCA, (Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Alimentar), para debater o aumento significativo dos produtos agrícolas no cabaz alimentar dos portugueses, provocado pela guerra no Irão.

No entanto, a escalada do aumento dos preços começou muito antes da recente instabilidade geopolítica, iniciada com a guerra do Irão, e, ao contrário de outros indicadores, não dá sinais de abrandar. Referimo-nos à subida vertiginosa dos preços dos bens mais básicos que, dia após dia, consome o rendimento das famílias e coloca em xeque a autonomia de muitos jovens.

O alerta foi dado a 13 de Janeiro numa reunião da PARCA, promovida pelo Sr. Ministro da Agricultura e Mar e na presença do representante do Sr. Ministro da Economia e Coesão Territorial, assim como de vários representantes do sector, desde a produção, à organização do sector, à logística e à distribuição

Os dados analisados na reunião já apontavam para uma inflação alimentar em níveis preocupantes. Segundo a apresentação realizada, “A inflação alimentar tem superado claramente a inflação global desde 2021, com especial intensidade nos produtos não transformados” . No entanto, “O que a PARCA estava a conhecer.” e que era um sinal de alerta em Janeiro transformou-se numa emergência social em Abril. É fundamental recordar que a sobrevivência e o bem-estar das populações dependem do acesso ao pão, ao arroz, à fruta, aos legumes, à carne e ao peixe — elementos que estão no centro de uma tempestade de preços.

O cenário atual é crítico. Nos últimos dois meses, especificamente entre Fevereiro e Março de 2026, o preço dos alimentos em Portugal registou uma tendência de subida, atingindo novos máximos históricos. O custo de um cabaz de 63 alimentos essenciais, monitorizado pela DECO Proteste, ultrapassou os 254 euros, marcando um agravamento severo no custo de vida.

Este valor representa muito mais do que um número estatístico; representa a dificuldade crescente de uma geração em garantir uma alimentação saudável e equilibrada face a salários que não acompanham esta “aceleração” das prateleiras.

Enquanto Portugal enfrenta esta pressão, outros Estados-Membros da União Europeia têm sido mais incisivos na proteção dos seus cidadãos, sendo exemplos, Espanha, que implementou a isenção ou redução drástica do IVA em produtos de primeira necessidade, como o azeite e os cereais, garantindo um alívio direto e imediato no momento do pagamento, ou a França, cujo governo Francês promoveu acordos de “preço bloqueado” com a grande distribuição, focando-se em travar a aceleração dos preços de centenas de produtos básicos para proteger o poder de compra dos consumidores mais jovens e vulneráveis.

O setor agrícola, pilar da nossa soberania alimentar, está a ser asfixiado por custos de produção insustentáveis. As medidas de apoio anunciadas recentemente no Decreto-Lei n.º 80-A/2026 são manifestamente insuficientes. Os apoios para fazer face ao aumento dos fatores de produção chegam tarde e ignoram os prejuízos acumulados nos meses anteriores.

A falta de um controlo efetivo sobre o mercado, que impeça a especulação desde a origem até à grande superfície, está a comprometer não só a viabilidade das explorações agrícolas, mas também a capacidade de os portugueses acederem a produtos nacionais a preços justos.
Urgência na Reunião da PARCA

Por isso, a direção da CNJ enviou uma proposta ao Sr. Ministro da Agricultura e Mar, para a convocatória de uma reunião extraordinária da PARCA para abordar especificamente o preço dos alimentos, tendo referido que “É necessário um combate firme à especulação e a criação de mecanismos que impeçam o aproveitamento da crise para a maximização de lucros à custa do prato dos cidadãos.”, pois a soberania alimentar e a estabilidade económica das famílias não podem ser deixadas ao acaso. Os primeiros afetados nesta escalada de preços, infelizmente, serão os que irão consumir alimentos processados de baixo custo, sem nutrientes necessários para uma estabilidade física e emocional. É imperativo que o Governo assegure medidas que revertam esta tendência de subida, garantindo que “comer” não se torne um luxo insuportável em 2026.

Fonte: CNJ



AgroPortal

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