Portugal

Ana Catarina Mendes rejeita que PS tenha "espírito derrotista"

No 25.º Congresso do PS, que decorre até domingo em Viseu, a antiga líder parlamentar do partido reconheceu que se vivem “momentos difíceis” e de “exigência no plano nacional e europeu”.

Contudo, para Ana Catarina Mendes, “a última coisa que um socialista pode ter é um espírito derrotista”. Pediu, por isso, ânimo aos presentes.

“Este congresso é para olhar para o futuro, para ter esperança, para construir um caminho”, realçou.

A eurodeputada considerou que os socialistas devem ter orgulho na sua história e alertou que “se a direita cedeu à agenda da extrema-direita por medo e irresponsabilidade”, o PS não o pode fazer.

“E quando tratamos de direitos humanos, de imigração, quando assistimos ao Governo a dizer que está satisfeito porque vai deportar imigrantes, são direitos humanos que estão a ser violados”, denunciou, numa referência à lei do retorno.

Momentos depois, a autarca da Câmara Municipal de Matosinhos e antiga presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP), Luísa Salgueiro, saiu em defesa do poder local, numa das intervenções mais aplaudidas do dia.

À semelhança de Ana Catarina Mendes, a autarca pediu aos socialistas que tenham orgulho no legado do PS, que “empoderou o poder local” e fez “um processo de descentralização difícil, que não ficou terminado”, culpando o atual Governo.

Luísa Salgueiro considerou ainda “imprescindível” que se avance para a aprovação de uma nova lei das finanças locais.

“Não é por orgulho ou capricho dos autarcas que ela é necessária”, alertou.

Para a socialista, o país precisa de avançar para a regionalização, prevista na Constituição da República.

“Sabemos que a Constituição implica a realização de um referendo mas o PS, este secretário-geral, esta nova equipa, tem a responsabilidade de promover o debate para que o país esteja preparado, no momento em que avançarmos para o referendo, para que o «sim» vença finalmente”, apelou.

Luísa Salgueiro refutou que esteja em causa a criação de “mais lugares” ou uma luta “do Porto contra Lisboa”.

“Acabemos de uma vez por todas com a hipocrisia de achar que os municípios mais pequenos têm as mesmas condições que os outros. Compete ao PS fazer valer a sua força”, pressionou.

Antes, a eurodeputada e presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), Carla Tavares, realçou que o mundo vive “um momento de profunda turbulência geopolítica”, com a continuação de conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.

“O PS é o garante de que o modelo social europeu, que assegura direitos e protege quem mais precisa, não seja progressivamente erodido”, afirmou.

Para Carla Tavares, a Europa deve “liderar e não apenas reagir”, respeitando o primado do direito internacional e investindo na diplomacia.

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