Escalada no Médio Oriente ameaça custos agrícolas, segurança alimentar e poder de compra das famílias: socialistas exigem resposta preventiva da Comissão Europeia.
Eurodeputados do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) do Parlamento Europeu alertam para os riscos crescentes que a escalada do conflito envolvendo o Irão e o Médio Oriente representa para a agricultura europeia e para as famílias europeias.
Numa pergunta dirigida ao Comissário Europeu da Agricultura, Christophe Hansen, os eurodeputados chamam a atenção para a rápida transmissão das tensões geopolíticas no Médio Oriente aos custos de produção, com especial incidência no gasóleo agrícola, na energia e nos fertilizantes — fatores críticos para o funcionamento das explorações e para as decisões de sementeira e produção.
“A agricultura é sempre uma das primeiras a sentir o impacto destas crises. Quando sobem os preços da energia e dos fertilizantes, isso repercute-se logo na capacidade de produzir, de garantir alimentos e nos preços que as famílias e os consumidores pagam”, afirmou André Franqueira Rodrigues.
Os eurodeputados sublinham que muitos produtores já operam com margens reduzidas e têm pouca capacidade para absorver novos choques. O aumento dos custos pode traduzir-se rapidamente em redução da utilização de fertilizantes, adiamento de operações agrícolas ou cortes na produção, com efeitos em cadeia sobre a oferta alimentar e os preços ao consumidor.
“Se não anteciparmos esta pressão, arriscamo-nos a repetir erros recentes: reagir tarde, quando o impacto já está no terreno. É precisamente por isso que estamos a pedir à Comissão uma aplicação rápida de instrumentos de resposta”, acrescentou o eurodeputado.
Na iniciativa enviada à Comissão Europeia, os membros do S&D questionam, em particular, a capacidade da União para monitorizar em tempo real a evolução dos preços dos fatores de produção e eventuais disrupções no abastecimento, sobretudo no que diz respeito aos fertilizantes, cuja disponibilidade é fortemente dependente dos mercados energéticos internacionais e pedem à Comissão para mobilizar instrumentos da Política Agrícola Comum, incluindo mecanismos de crise e de apoio ao mercado, bem como sobre a eventual necessidade de ativar medidas adicionais, como maior flexibilidade nas regras de auxílios estatais ou apoios de emergência dirigidos aos setores mais vulneráveis.
“A questão é simples: temos de estar preparados para agir antes que esta crise se transforme numa crise de produção e de preços alimentares. A resposta da Comissão nas próximas semanas será determinante para isso”, concluiu André Franqueira Rodrigues.
Fonte: André Franqueira Rodrigues
