“É uma nomeação histórica, atendendo que é a primeira vez que é nomeado um polícia de carreira para as funções de ministro da Administração Interna. Obviamente que o facto de ser um bom diretor nacional não quer dizer que, por inerência, seja um bom ministro”, disse à Lusa o presidente da ANOG – Associação Nacional de Oficiais da Guarda, Tiago Silva Gonçalves, sobre a escolha do diretor da Polícia Judiciária (PJ) para ministro da Administração Interna.
O presidente da associação que representa os oficiais da GNR considerou também que Luís Neves vai ter “um desafio muito grande”, tendo em conta os problemas que há para resolver nas forças de segurança, nomeadamente na Guarda Nacional Republicana, e que não são apenas remuneratórios.
Tiago Silva Gonçalves lembrou as várias declarações públicas de Luís Neves sobre os salários na PSP e na GNR, esperando que “efetivamente possa pôr em prática aquilo que várias vezes referiu na comunicação social, que era importante dignificar também as carreiras da Polícia de Segurança Pública e da Guarda Nacional Republicana”.
O presidente da ANOG considerou importante que os elementos da PSP e da GNR passem a receber um subsídio de risco idêntico ao que foi atribuído aos inspetores da PJ em 2023, tendo este aumento motivado contestação dos polícias da PSP e GNR que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário e que ainda não se concretizou.
“Este ponto é importante porque disse-o mais do que uma vez publicamente e, em boa verdade, tem agora a possibilidade de pôr em prática”, afirmou, frisando que é também preciso resolver “o problema estrutural das péssimas condições socioprofissionais em que os profissionais da GNR e PSP chegaram”.
O presidente da ANOG recordou igualmente que é preciso evitar que seja retirado 30% do cálculo da pensão de reforma dos militares da GNR, um assunto que estará em discussão esta semana na Assembleia da República através de um projeto de lei do Chega.
Tiago Silva Gonçalves disse ainda que, por ter sido diretor de uma polícia, Luís Neves tem “a vantagem substancial relativamente a outros anteriores ministros”.
O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro de nomear Luís Neves para as funções de ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral, que se demitiu depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin, que assolou o país no final de janeiro.
Luís Neves, diretor da PJ há oito anos e há cerca de três décadas ao serviço desta polícia de investigação criminal, toma posse como ministro da Administração Interna na próxima segunda-feira às 10:00 no Palácio de Belém, em Lisboa.
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