“Aquilo que eu teria feito era não abrir processo disciplinar nenhum”, declarou, apesar de respeitar a decisão do então presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), Sérgio Janeiro.
Luís Meira falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao INEM para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
Durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
“Não me sinto minimamente conivente ou cúmplice daquilo que poderão ter sido mortes associadas ao momento da greve”, salientou.
O antigo presidente do INEM criticou o primeiro relatório da IGAS, afirmando que, “por muito que o inspetor-geral tente dizer que não”, o documento insinuava a necessidade de processos disciplinares ao médico e ao técnico de emergência pré-hospitalar envolvidos.
“Acho que isso foi vergonhoso”, considerou.
O ex-responsável defendeu que os profissionais mereciam reconhecimento e não punição.
“Não fugiram do CODU [Centros de Orientação de Doentes Urgentes], estiveram lá, deram a cara, trabalharam enquanto o mundo estava a acabar à sua volta e a recompensa é esta”, lamentou.
Luís Meira acrescentou que, se estivesse em funções, teria “mandado publicar um louvor no dia a seguir a todos os que tiveram de serviço no CODU”.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
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