A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) alertou que os produtores de leite enfrentam uma pressão crescente, marcada pela descida do preço pago à produção, pelo aumento dos custos e pela exclusão de apoios ao investimento, num contexto que agrava a fragilidade económica do setor.
Em comunicado de imprensa, a Associação sublinhou que “a produção de leite em Portugal atravessa um momento cada vez mais difícil”. Além disso, a APROLEP frisou ainda que o preço do leite pago ao produtor caiu três cêntimos no início do ano e mantém-se sob ameaça de novas descidas, ao mesmo tempo, os custos de produção agravam a pressão sobre as explorações, num quadro marcado pelos efeitos da guerra no Irão.
 
Além disso, a generalidade dos pedidos de apoio ao investimento apresentados por produtores de leite em 2025 foi recusada, enfatiza a comunicação.
A nota de impresa dá ainda conta de que foi recentemente divulgado o projeto de lista de hierarquização das candidaturas apresentadas por 2544 agricultores, nos últimos meses de 2025, no âmbito do PEPAC 23-27, na medida “Investimento produtivo agrícola – Modernização” / Multissetores. Deste total, 1814 candidaturas foram excluídas por falta de dotação orçamental e apenas 730 seguem para as fases seguintes de análise.
 
A decisão “apanhou de surpresa” muitos produtores de leite associados, explica a APROLEP, sobretudo porque tinha sido criada a expectativa de que existiriam apoios disponíveis. Importa recordar que o período de candidaturas, inicialmente fixado entre 28 de agosto e 28 de outubro de 2025, foi sendo sucessivamente prolongado até 9 de janeiro de 2026, precisamente para permitir a entrada de um maior número de pedidos.
A comunicação sublinha ainda que, desde 2022, não existia a possibilidade de apresentar candidaturas a apoios para investimentos de carácter geral no setor agrícola, com exceção da instalação de jovens agricultores, o que contribuiu para elevar as expectativas criadas junto do setor. Acresce que vários jovens agricultores integrados em sociedades agrícolas, cujos projetos de primeira instalação já tinham sido anteriormente rejeitados, voltam agora a ser penalizados.
 
“Os produtores investiram tempo e recursos significativos na preparação das candidaturas, pedindo orçamentos, recorrendo a serviços técnicos especializados e assumiram encargos financeiros, confiando na existência de apoios que agora se revelam insuficientes, estando agora revoltados e desanimados com esta situação”, lê-se no comunicado.
A produção de leite exige investimentos elevados, com retorno apenas a longo prazo, e as sucessivas crises de baixos preços não permitiram aos produtores criar margem para fazer as melhorias necessárias. Nos últimos anos, a APROLEP tem vindo a defender apoios específicos ao setor, sobretudo nas áreas do bem-estar animal, da modernização tecnológica da ordenha e da proteção ambiental.
 
A APROLEP considera essencial que o Governo corrija esta situação e reforce com urgência a dotação financeira disponível, para apoiar mais projetos de investimento. Defende ainda a criação de uma linha de financiamento específica para o setor, que permita uma avaliação mais justa das candidaturas.
A Associação sublinhou ainda situação agrava-se agora com a subida dos custos de produção provocada pela guerra no Irão. O gasóleo agrícola já aumentou 40 cêntimos por litro e antecipam-se novas subidas nos preços dos fertilizantes e das rações.
