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Miguel Sanches, diretor da Gestão Sustentável da Mobilidade da AESE Business School, explica porque a mobilidade deixou de ser um tema técnico para se tornar um assunto central de liderança, competitividade e qualidade de vida. Oiça aqui o Mobi Boom, o podcast do Expresso conduzido por Luís Costa Branco
Portugal vive um momento importante na forma como pensa e gere a mobilidade? Miguel Sanches, diretor da GSM, Gestão Sustentável da Mobilidade, da AESE Business School, defende que a mobilidade “deixe de ser um tema operacional e passe a ser um tema estratégico de gestão das cidades, de gestão da própria economia”, até porque a transformação tecnológica, a pressão da sustentabilidade e a competição global entre cidades já estão a colocar o tema no centro das decisões políticas e empresariais.
Para Sanches, o grande desafio já não é saber se a mobilidade vai mudar, mas sim se estamos preparados para gerir essa mudança. E isso exige líderes capazes de lidar com dados, pessoas e colaboração, três pilares que considera essenciais para decisões eficazes.
Num contexto onde a informação é abundante e a tecnologia acelera processos, o risco está na falta de critério: “Antes um trabalho que demorava semanas a fazer hoje demora minutos a fazer”. E alerta: “a inteligência artificial abre inúmeras possibilidades, mas também existem riscos e temos que os ponderar e avaliar corretamente. É deste balanço que nasce o ponto de equilíbrio da utilização responsável da inteligência artificial”.
A competitividade das cidades surge como um dos temas centrais. Resolver problemas de mobilidade é, para Sanches, condição para atrair talento, investimento e turismo.
Lisboa, Cascais ou qualquer outra cidade que ofereça sistemas de transporte fiáveis, integrados e sustentáveis ganha vantagem numa Europa onde as capitais competem entre si pela mesma mão‑de‑obra qualificada e pelas mesmas empresas. O tempo de deslocação, a qualidade dos transportes públicos e a eficiência logística são hoje métricas estratégicas avaliadas por quem decide instalar operações num território.
No terreno, Sanches vê empresas portuguesas cada vez mais preparadas para esta transição, mas reforça que a colaboração entre operadores, reguladores, autarquias e indústria é indispensável. A mobilidade sustentável não se faz por decreto. Faz‑se porque os agentes inovam, cooperam e alinham objetivos.
A formação executiva que lidera na AESE reflete precisamente essa necessidade de visão transversal. Os gestores que chegam ao programa são confrontados com casos reais que envolvem inteligência artificial, descarbonização, critérios ESG, urbanismo e tecnologia. O objetivo é que sejam capazes de decidir num ambiente complexo e em rápida mutação.
Quando desafiado a escolher uma única decisão estratégica para melhorar a mobilidade em Portugal na próxima década, Sanches não hesita: colocar as pessoas no centro.
E o maior erro que o país pode cometer? A resposta é o imobilismo. Não decidir, diz, custa mais do que decidir mal. A transição energética e a transformação da mobilidade têm custos, mas não avançar tem custos maiores, tanto económicos, como sociais e ambientais.
Para descobrir como estes temas se cruzam com liderança, tecnologia e o futuro das cidades, vale a pena ouvir o episódio completo no topo desta página.
A forma como nos movemos define como vivemos. Mobi Boom é um podcast semanal sobre mobilidade, inovação e qualidade de vida nas cidades. Dos carros elétricos aos bairros inteligentes, exploramos as ideias, tecnologias e tendências que estão a transformar a malha urbana e a nossa qualidade de vida. Se acredita em cidades mais verdes, humanas e práticas, este podcast é para si. Novo episódio todos os domingos.
Mobi Boom é um podcast Expresso, com produção Tale House, e a primeira temporada tem o apoio da Kinto.
