Agronegócio

Associações de cereais alertam para risco de quebra significativa na produção


A ANPOC, a ANPROMIS e a AOP alertaram para a “situação extremamente preocupante” que o setor dos cereais atravessa em Portugal, apontando o impacto das condições meteorológicas adversas e do aumento dos custos de produção na campanha agrícola em curso.

De acordo com o comunicado de imprensa conjunto, as três associações consideram existir um “risco real de quebra significativa de produção”, com efeitos diretos na segurança alimentar e no agravamento da dependência externa do país.

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Segundo as associações, a precipitação intensa e persistente registada nos últimos meses tem dificultado de forma significativa as operações de sementeira e maneio em várias regiões do país. Em muitos casos, os produtores não conseguiram entrar nos terrenos em tempo útil, comprometendo o calendário agrícola e o potencial produtivo das culturas.

A sucessão de tempestades provocou também danos em várias explorações agrícolas, nomeadamente destruição de infraestruturas, erosão dos solos e perdas generalizadas de áreas semeadas. Em paralelo, as culturas instaladas registaram perdas devido ao excesso de água no solo, com situações de encharcamento, asfixia radicular e, em muitos casos, destruição total das searas.

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As associações acrescentam que este contexto agrava a já frágil sustentabilidade económica das explorações agrícolas, numa altura em que se verifica um aumento acentuado dos custos de produção.

De acordo com a mesma informação, a subida dos preços dos fertilizantes e dos combustíveis, influenciada pelo contexto geopolítico internacional, está a exercer uma pressão adicional sobre os agricultores, num mercado marcado por preços mundiais dos cereais considerados muito baixos.


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Perante este cenário, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP apelam à adoção urgente de medidas extraordinárias de apoio aos produtores nacionais. Entre as prioridades identificadas estão a criação célere de mecanismos de compensação pelas perdas de produção, o apoio ao restabelecimento do potencial produtivo, incluindo infraestruturas, construções e equipamentos danificados, e a recuperação das infraestruturas dos perímetros de rega também afetadas pelas intempéries.

As três organizações defendem ainda o alargamento da situação de calamidade a todas as regiões efetivamente atingidas, a atribuição de apoios diretos para mitigar o aumento dos custos com combustíveis e fertilizantes, a flexibilização de prazos e requisitos de elegibilidade no âmbito das políticas agrícolas em vigor e o reforço dos instrumentos de gestão de risco adaptados à atual realidade climática.

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No plano estrutural, as associações pedem também o reforço imediato da dotação financeira do PEPAC, para apoiar investimentos considerados essenciais ao desenvolvimento, modernização e competitividade do setor cerealífero nacional.

Segundo a comunicação, reclamam igualmente uma medida de apoio às organizações de produtores de cereais, antecipando uma campanha 2026/2027 “muito complicada”, devido ao menor volume de produção comercializada e às dificuldades que isso poderá causar na manutenção do reconhecimento e na gestão financeira destas estruturas.

No comunicado, a ANPOC, a ANPROMIS e a AOP reiteram a importância estratégica do setor dos cereais para a economia nacional e para a soberania alimentar, defendendo uma resposta rápida e eficaz que permita salvaguardar a continuidade da produção.

 



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