As consequências do ataque israelo-norte-americano ao Irão estão a pesar sobre os agricultores do mundo, tanto pela subida dos combustíveis como pela redução da oferta de fertilizantes que passam pelo Estreito de Ormuz.
Esta escassez de fertilizantes está a comprometer o modo de vida nos designados países em vias de desenvolvimento – já a braços com a rutura climática global – e pode causar o encarecimento da alimentação.
Os agricultores mais pobres do Hemisfério Norte dependem das importações de fertilizantes provenientes do Golfo Pérsico e a escassez ocorre justamente quando a época das sementeiras começa, apontou Carl Skau, subdiretor do Programa Alimentar Mundial.
“Nos piores casos, isto representa menos colheitas (agora) e menos sementeiras na próxima época. No melhor caso, os custos dos ‘imputs’ (fatores de produção) vão ser incluídos no preço da alimentação no próximo ano”, antecipou.
Pelo Estreito de Ormuz passam cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e um terço do de fertilizantes.
O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, disse hoje o seu país aceitou um pedido da organização para deixar passar ajuda humanitária e cargueiros com produtos agrícolas, apesar de hoje mesmo ter tido as suas instalações nucleares atacadas.
Apesar de governos e investidores estarem focados no petróleo e gás, a restrição à passagem de fertilizantes ameaça a agricultura e a segurança alimentar no mundo.
Em particular, o nitrogénio e os fosfatos estão sob ameaça imediata.
Mesmo depois de a guerra acabar, os produtores no Golfo Pérsico vão precisar de garantias de segurança antes de voltarem a enviar carga pelo Estreito, mas, em particular, os custos dos seguros vão aumentar, previu Owen Gooch, analista da Argus Consulting Services.
Os fertilizantes são usados antes ou durante a sementeira, pelo que a sua falta vai prejudicar o desenvolvimento e produto final.
Esta falta não vai poder ser compensada por outros produtores. Por exemplo, a China, o maior produtor mundial de nitrogénio e fosfato, está a dar prioridade à sua procura interna, enquanto as fábricas na Federação Russa, outro produtor relevante, estão a produzir na capacidade total.
Aliás, já se sentem disrupções através de África, onde há uma grande dependência de importações provenientes do Médio Oriente da Federação Russa.
