Portugal

"Autarcas receberam o que o Governo quis entregar. Nem fomos consultados"

Os responsáveis pela Comunidade Intermunicipal (CIM) de Leiria estão, esta quinta-feira, a serem recebidos na Assembleia da República (AR) para falar com os grupos parlamentares sobre os prejuízos causados pelas tempestades que atingiram a região no passado mês de fevereiro.

Após o primeiro encontro, com o PSD, Jorge Vala, que é presidente da Câmara Municipal de Porto Mós e também presidente da CIM de Leiria.

De acordo com o autarca, as propostas apresentadas ao grupo parlamentar liderado por Hugo Soares foram “bem recebidas”.

“Solicitamos é que as nossas propostas para o PTRR, que é um documento importante para a região e para o país, estruturante, seja tido em conta para que a nossa região seja no futuro mais resiliente. Demos um contributo que consideramos ser fundamental para esse fim e, portanto, o que estamos a solicitar aos grupos parlamentar é a sua integração no documento final”, começou por dizer o responsável.

Sobre as palavras do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que disse que o Executivo da AD foi ágil a responder aos pedidos de ajuda e que, por parte das câmaras, o processo “tem sido lento”, Jorge Vala salientou que “o Governo tem a sua opinião” e que os autarcas “foram agilíssimos a responder, os autarcas estão desde a primeira hora, em algumas circunstâncias 24 horas por dia no terreno e ainda hoje estão no terreno”.

“Fomos eleitos para isso, para estarmos no terreno. Conhecemos bem a realidade da tragédia que temos, da devastação que aconteceu na região de Leiria e continuamos a estar no terreno para resolver aquilo que para nós é a fundamental, que é a vida das pessoas”, atirou.

Questionado sobre quem está a falhar, uma vez que muitas pessoas e empresa continuam sem receber apoios, o autarca explicou que há “efetivamente necessidade de obter respostas urgentes”. “Os autarcas receberam aquilo que o Governo quis entregar. Nós abraçamos esse desígnio sem, sequer, sermos consultados”, atirou, garantindo que não foram eles quem “criou as regras”.

“Não fomos nós que definimos que, até 5 mil euros, se pagava tudo a troco de uma fotografia em apenas três dias. E, aquilo que os autarcas entendem é que, se a competência é nossa, o rigor tem de ser nosso e o Governo público tem de ser gerido de forma conveniente, não pode ser deitado fora. Temos, infelizmente, muitas candidaturas que não fazem qualquer sentido porque as pessoas não foram afetadas”, revelou, dando um exemplo: “temos dois números de contribuintes que vivem na mesma casa e fizeram dois pedidos autónomos”.

Para evitar que sejam pagos valores a quem não sofreu prejuízos, as autarquias estão agora a fazer vistorias, nos casos e que acham que “é necessário”

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