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A Europa deve reduzir a importação de energias fósseis, uma das “suas principais vulnerabilidades” que pesa sobre a missão do BCE, estimou, nesta terça-feira, um alto responsável da instituição monetária que pediu investimentos em energia limpa e produzida localmente.
ANGUS MORDANT
“A dependência energética da Europa complica cada vez mais a tarefa de manter a estabilidade dos preços”, lamentou numa nota de blog Frank Elderson, membro do diretório do Banco Central Europeu (BCE) e vice-presidente do Conselho de Supervisão.
O Velho Continente deve “fazer a transição agora ou pagar caro mais tarde”, estimou o Elderson, apelando para “diminuir a dependência dos combustíveis fósseis importados” e “acelerar uma transição ordenada para energias limpas produzidas localmente”.
Segundo o responsável, “alcançar os objetivos do continente em matéria de energia limpa enfraqueceria a ligação entre a volatilidade dos mercados globais e os preços internos”.
A inflação homóloga na zona euro subiu para 2,5% em março, o nível mais alto desde janeiro de 2025 devido ao aumento dos preços da energia associado à guerra no Médio Oriente.
Descarbonização traria menos choques económicos
Segundo Elderson, uma estratégia de descarbonização “resultaria em menos choques para as famílias, as empresas, as finanças públicas e os mercados financeiros – e, em última análise, numa maior estabilidade macroeconómica e preços mais estáveis”.
O investimento necessário é considerável – 660.000 milhões de euros por ano até 2030, segundo a Comissão Europeia – mas “concentrar-se apenas nesses custos é profundamente enganador”.
“Investir numa energia limpa e sustentável substitui os gastos substanciais dedicados aos combustíveis fósseis”, estimou.
Para o banqueiro central, “a questão não é mais saber se a Europa pode permitir-se essa transição” mas “se pode permitir-se a não fazer”.
