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BE acusa Governo de ser “cúmplice” dos EUA na utilização da Base das Lajes e pede condenação da guerra


Política

O Bloco de Esquerda entregou, nesta tarde de segunda-feira, uma carta aberta na residência oficial do primeiro-ministro. O objetivo é proibir os Estados Unidos de utilizarem a Base das Lajes nos ataques ao Irão.

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Com uma carta assinada por cerca de oito mil e 500 pessoas, o Bloco de Esquerda pede ao Estado português que condene a Guerra no Médio Oriente. José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, esteve presente no momento da entrega e acusou o Governo de ser “cúmplice” dos Estados Unidos.

“Cada bomba que Trump e Netanyahu lançam sobre o Irão é uma subida em flecha do preço dos bens essenciais em Portugal. Custa a crer que o Governo continue a ter uma posição de grande cumplicidade materializada na utilização da Base das Lajes”, começou por dizer.

De acordo com o Bloco de Esquerda, Portugal deve seguir o exemplo de Espanha, que encerrou o espaço aéreo a todos os voos envolvidos nos ataque ao Irão e recusou a utilização de duas bases militares pelos EUA.

“Custa a crer que o Governo, perante tudo isto, tenha uma posição de grande cumplicidade materializada numa utilização da Base das Lajes que contraria tudo aquilo que são regras essenciais do direito internacional e até do direito português”, apontou.

“Drones assassinos” chegam à Base das Lajes

O coordenador do Bloco de Esquerda referiu-se também à notícia SIC que dá conta de que drones militares MQ-9 Reaper, conhecidos como “drones assassinos“, vão chegar, esta segunda-feira à noite, à Base das Lajes.

Pureza considerou que “o facto de hoje mesmo estar programado uma aterragem na Base das Lajes de um número muito significativo de drones norte-americanos para utilização no conflito agrava essa cumplicidade do Governo português”.

O dirigente bloquista disse lhe foi indicado pelo assessor diplomático do primeiro-ministro que a carta chegará a Luís Montenegro.

“O que é importante que o país perceba, desejavelmente o Governo também, é que há muita gente no nosso país que olha para esta guerra com uma enorme indignação, com uma enorme preocupação e que se sente lesada, enquanto tal, na sua carteira, no dia-a-dia, no supermercado, no preço da habitação, com os efeitos desta guerra”, alertou.

“A verdade é que depois de o ministro Paulo Rangel ter dito que o Governo português estabelecia condições imperativas para a utilização da Base das Lajes, isso já aconteceu depois da Base das Lajes já ter sido utilizada por aeronaves norte-americanas para o seu envolvimento na guerra. Portanto, o governo pode não confirmar, pode não desmentir, mas os factos confirmam”, defendeu.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, que já teve consequências em vários países, como os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Bahrein, entre outros, que foram atingidos por bombardeamentos.

Cedência das Lajes aos EUA

O Governo português deu uma “autorização condicionada” ao uso da Base das Lajes, já depois do início do ataque, apontando como requisitos que a infraestrutura só podia ser utilizada “em resposta a um ataque, num quadro de defesa ou retaliação”, que a ação tinha de ser “necessária e proporcional” e que só podia “visar alvos de natureza militar“.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou em meados de março, no parlamento, que, do que tem sido dado a conhecer ao Governo, a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América “tem cumprido os pressupostos subjacentes à autorização” dada por Portugal.

Desde o início do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão que vários aviões reabastecedores têm descolado das Lajes, quase todos os dias, em missões de reabastecimento.

Com Lusa.



SIC Noticias

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