Um bebé nasceu numa ambulância dos Bombeiros Municipais de Coruche em plena Autoestrada N.º6 (A6) durante o transporte da mãe para o Hospital do Espírito Santo, em Évora, na madrugada de sexta-feira.
Segundo explicou Nuno Coroado, comandante dos Bombeiros Municipais de Coruche ao jornal local O MIRANTE, a corporação recebeu o alerta pelas 4h13, através do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Em causa estava uma mulher grávida de 39 anos que já estava com contrações, na localidade de Azervadinha, no concelho de Coruche. Posteriormente, foi indicado o transporte da mulher para o Hospital do Espírito Santo, localizado a cerca de 80 quilómetros de distância.
“No entanto, já durante o percurso, junto à entrada da Autoestrada 6 (A6), em Montemor-o-Novo, a mulher entrou em trabalho de parto”, explicou o jornal.
A corporação decidiu, então, solicitar o apoio da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Évora e o menino, Santiago, acabou por nascer na ambulância dos Bombeiros Municipais de Coruche, com assistência de dois bombeiros e dos profissionais do INEM.
Partos em ambulâncias mais do que duplicaram em 2025
Só em 2025 nasceram, pelo menos, 60 bebés em ambulâncias em Portugal. Trata-se de um aumento de 114%, uma vez que em 2024 tinham sido registados 28 partos nestas circunstâncias, segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) enviados ao Público. Há ainda registo de 23 partos na via pública.
Do total de partos em ambulâncias e na via pública, quase metade (36) ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Em janeiro, contudo, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendeu que o número de partos fora dos hospitais, em Portugal, é semelhante ao da última década, ocorrendo a maior parte no domicílio.
“Os números são semelhantes aos últimos anos, com exceção da pandemia em que houve mais partos extra-hospitalares, pelas razões que se compreendem. Portanto, não há nenhuma grande alteração relativamente ao número de partos extra-hospitalares. Ou seja, o número é sensivelmente o mesmo da última década”, disse a ministra após ter participado na conferência “Futuro da Saúde na Europa”, no Porto.
Segundo Ana Paula Martins, “a maior parte dos partos extra-hospitalares não ocorre na via pública, felizmente, e nem ocorre nas ambulâncias. Ocorre no domicílio”, acrescentando que, por essa razão, “o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica] acaba por ser chamado para poder resolver situações que se complicam”.
E em 2026?
Só este ano já nasceram cerca de dez bebés em ambulâncias, os últimos dos quais em Zambujal, Sintra e Águas de Moura. No entanto, o número poderá ser maior, uma vez que nem todas as corporações divulgam estas ocorrências.
