Criada em 2009 e cotada na bolsa em 2019 com uma valorização que chegou a ultrapassar os 13 mil milhões de dólares, a empresa norte-americana que prometia revolucionar o mercado alimentar com imitações de carne, como hambúrgueres, salsichas e outros produtos de origem vegetal desenhados para parecerem e saberem a carne. O entusiasmo dos investidores e acobertura mediática foram enormes, mas o mercado real revelou-se bem mais céptico.
A empresa que nunca gerou lucro
Desde a sua fundação, a Beyond Meat nunca registou um único exercício com resultado operacional positivo. Em 2025, os resultados publicados mostram que por cada dólar de receita obtido, a empresa gastou 1,95 dólares em custos, uma deterioração significativa face a 2024 quando esse rácio era de 1,32 dólares. As vendas, que em 2021 atingiram o máximo histórico de464,7 milhões de dólares, caíram para 213,9 milhões em 2025, menos de metade em apenas quatroanos.
A perda operacional em 2025 foi de 203,4 milhões de dólares, acrescentando-se a um histórico de
destruição de valor que inclui os 342,8 milhões perdidos em 2022 e os 269,2 milhões em 2023. No
total, o balanço da empresa acumula 1,2 mil milhões de dólares em perdas, financiadas em grande
medida por capital de risco e pelo entusiasmo especulativo dos primeiros anos.
A carne real cresceu
Enquanto a Beyond Meat encolhia, o mercado norte-americano de carne de bovino registou em 2025 um crescimento de 9,9% em volume, atingindo 45 mil milhões de dólares em vendas, apesar de um aumento médio de preços na ordem dos 10%. A procura não só resistiu ao encarecimento como cresceu, demonstrando a solidez estrutural da preferência dos consumidores pela carne animal.
Este dado é particularmente relevante: o consumidor, quando confrontado com alternativas, continua a escolher a carne. A retórica sobre a “transição proteica” não se traduziu em comportamento de compra. Os valores de mercado falam por si.
O que falhou na tese das proteínas alternativas
A Beyond Meat foi o caso de maior visibilidade de uma tese de investimento que prometia substituir a proteína animal por produtos vegetais apresentados como equivalentes nutricionais, mais sustentáveis e com potencial de escala industrial. Nenhuma dessas premissas resistiu ao contacto com o mercado real.
O preço nunca baixou o suficiente para ser competitivo. A qualidade organoléptica (sabor, textura, suculência) ficou sistematicamente aquém da carne. E a alegada vantagem ambiental revelou-se muito mais contestável do que a narrativa inicial admitia, com processos industriais intensivos em energia e embalagem. O consumidor percebeu, e votou com a carteira.
Implicações para o setor e legislação
Para os industriais de carnes, este desfecho tem uma leitura direta: a carne continua a ser o produto de referência, e os consumidores não estão dispostos a abdicar dela por substitutos de qualidade inferior. A APIC tem defendido consistentemente que as políticas públicas não devem penalizar um setor com décadas de investimento em qualidade, segurança alimentar e bem-estar animal, em benefício de alternativas que não demonstraram viabilidade económica nem aceitação duradoura.
O caso Beyond Meat é também um aviso para a regulação europeia. Iniciativas que promovam ativamente a substituição proteica ou que desincentivem o consumo de carne com base em premissas não verificadas têm um custo real, para as empresas do setor e para os consumidores que perdem acesso a produtos de qualidade a preços competitivos. O mercado já deu o seu veredicto, resta aos decisores políticos aceitarem-no.
