Previsões Agrícolas
As previsões agrícolas, em 31 de janeiro de 2026, apontam para um ano agrícola profundamente condicionado pelas condições meteorológicas adversas registadas ao longo de janeiro, culminando com a passagem da tempestade Kristin no final do mês. A precipitação muito intensa, associada a rajadas de vento excecionalmente fortes, provocou prejuízos significativos na atividade agrícola, com especial incidência na Região Centro, afetando infraestruturas e culturas instaladas, num contexto já marcado por solos saturados e limitações operacionais.
Embora os impactos ainda não estejam totalmente avaliados, os efeitos imediatos traduziram-se em atrasos acrescidos nas sementeiras dos cereais de outono/inverno, dificuldades no desenvolvimento das pastagens e culturas forrageiras e constrangimentos adicionais na organização das explorações agrícolas. Paralelamente, concluiu-se a campanha da azeitona para azeite do ano agrícola anterior, confirmando produtividades globalmente inferiores às de 2024, ainda que com boa qualidade do azeite obtido.
Na sequência da forte instabilidade meteorológica, o Governo anunciou medidas extraordinárias de apoio destinadas a mitigar os efeitos da tempestade na agricultura, incluindo mecanismos de compensação às explorações afetadas e instrumentos de apoio à reposição do potencial produtivo.
Gado, aves e coelhos abatidos
O peso limpo total de gado abatido e aprovado para consumo em dezembro de 2025 foi 43 421 toneladas, o que correspondeu a um aumento de 7,7% (+0,8% em novembro), resultante do maior volume de abate registado nos suínos (+13,4%). O peso limpo total de aves e coelhos abatidos e aprovados para consumo foi 36 256 toneladas, o que representou um acréscimo de 6,8% (+0,2% em novembro), devido essencialmente ao maior volume de abate de galináceos (+8,7%) e coelhos (+19,7%).
No ano 2025 (dados preliminares) o volume total do gado abatido teve um acréscimo de 3,0% em relação a 2024, devido ao aumento registado nos suínos (+6,4%). Pelo contrário, o volume de abate de bovinos, ovinos, caprinos e equídeos diminuiu 7,3%, 15,6%, 8,7% e 71,7%, respetivamente, face ao ano transato.
Os dados preliminares de 2025 relativos ao volume total de aves e coelhos abatidos apontam para um aumento de 3,3%, resultante do maior volume de abate de galináceos (+5,1%) e codornizes (+4,1%). Já os volumes de abate de perus, patos e coelhos registam decréscimos de 7,6%, 9,0% e 3,0%, respetivamente, face a 2024
Produção de aves e ovos
O volume de frango aumentou 3,7%, com uma produção de 33 448 toneladas (+9,4% em novembro), tendo registado um acréscimo idêntico (+3,7%) em número de cabeças (+12,8% em novembro). A produção de ovos de galinha para consumo cresceu 9,7% (+16,8% em novembro), contabilizando 11 851 toneladas.
Os dados preliminares de 2025 apontam para um acréscimo do volume de produção de frango (+8,2%) bem como da produção de ovos para consumo (+8,0%), quando comparados com os resultados de 2024.
Produção de leite e produtos lácteos
A recolha de leite de vaca foi 158,0 mil toneladas, superior em 1,7% face ao mês homólogo (+2,5% em novembro). O volume total de produtos lácteos teve um aumento de 8,6% (+5,5% em novembro), sustentado essencialmente pela maior produção de leite para consumo (+8,6%) e também de leites acidificados (+15,7%), nata para consumo (+9,9%), manteiga (+6,4%) e queijo de vaca (+1,7%).
Os dados preliminares de 2025 indicam, face a 2024, um ligeiro aumento da recolha anual de leite de vaca (+1,1%) bem como do total de produtos lácteos (+0,8%), devido à maior produção anual de leites acidificados (+7,7%), nata para consumo (+4,5%) e queijo de vaca (+4,9%), tendo o leite para consumo registado praticamente uma estabilização (+0,1%). Por oposição, diminuíram relativamente ao ano transato os volumes de manteiga (-3,3%) e leite em pó (-18,1%).
Pescado capturado
O volume de capturas de pescado em Portugal diminuiu 41,5% (-36,1% em novembro), justificado pela menor captura de peixes marinhos e moluscos. Às 3 241 toneladas de pescado correspondeu uma receita que totalizou 16 951 mil euros, valor que representou uma diminuição de 34,4% (-23,0% em novembro). O preço médio do pescado descarregado foi 5,12 Euros/kg, ou seja, um aumento de 13,3% (+21,0% em novembro).
Em 2025 (dados preliminares) a quantidade total de pescado capturado diminuiu 1,8%, face a 2024. O valor das capturas registou um acréscimo de 2,6%, resultando num aumento de 4,7% no preço médio do pescado, que se situou nos 2,73 Euros/kg (2,61 Euros/kg em 2024).
Preços e índices de preços agrícolas
Em janeiro de 2026, as variações mais significativas no índice de preços de produtos agrícolas no produtor foram observadas nos hortícolas frescos (+38,1%), bovinos (+37,9%), ovinos e caprinos (+21,9%), suínos (-31,9%) e batata (-21,4%).
Em comparação com o mês anterior, as variações de maior amplitude verificaram-se nos hortícolas frescos (+25,2%) e suínos (-10,0%).
Em dezembro de 2025, o índice de preços de bens e serviços de consumo corrente (INPUT I) diminuiu 2,6%, enquanto o índice de preços de bens e serviços de investimento (INPUT II) aumentou 3,0%. Em relação ao mês anterior, o INPUT I registou um decréscimo de 0,3% enquanto o índice do INPUT II apresentou um acréscimo de 0,2%.
O artigo foi publicado originalmente em INE: publicações.
