“A rapidez com que o Governo produz um documento desta natureza para um país com cerca de 50% do seu território continental voltado para o mar é de saudar”, afirmou à agência Lusa o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Luís Capão.
O autarca reagia desta forma a um relatório técnico da APA, em que figura uma síntese das ocorrências na faixa costeira de Portugal e em que são identificadas ações prioritárias a implementar em alguns municípios portugueses mais afetados.
No caso de Cascais, no concelho de Lisboa, o relatório da APA, a que a agência Lusa teve acesso, indica que existem intervenções previstas nas praias Grande do Guincho, Crismina, Azarujinha e Avencas e define como ações a implementar a reabilitação do paredão de Cascais e melhorias no estacionamento e no passadiço de acesso à Praia da Crismina.
Questionado sobre as prioridades elencadas pela APA, Luís Capão manifestou-se globalmente satisfeito, mas lamentou que tenha sido dada pouca priorização aos danos ocorridos no paredão de Cascais, que será alvo de uma intervenção por parte da autarquia.
“A Câmara irá iniciar brevemente uma obra de recuperação de todo o paredão no valor de cerca de 18 milhões de euros, mas não podemos sentir que o facto de estar prevista uma obra não tenha existido efeitos deste comboio de tempestades. Houve, de facto, um agravamento em cerca de cinco milhões de euros”, apontou o autarca.
Nesse sentido, Luís Capão referiu que a autarquia irá sublinhar esse aspeto à APA.
“Iremos, num trabalho conjunto, realçar isso, esperando que Cascais não fique (…) prejudicada só porque tinha feito o trabalho antecipadamente”, apontou.
A Câmara de Cascais prevê iniciar a obra integral no paredão em abril, com duração estimada de dois anos, abrangendo infraestruturas, mobilidade e piso da estrutura.
Segundo o documento da APA, encontra-se previsto um investimento na faixa costeira de Portugal continental na ordem dos 111 milhões de euros, que se divide por três horizontes temporais, de acordo com a tipologia do risco associado e medidas de mitigação a adotar em conformidade.
No imediato, e até ao início da próxima época balnear (maio/junho de 2026), a APA prevê um investimento de 15 milhões de euros e, até ao final do corrente ano, um investimento de 12 milhões de euros, num total de 27 milhões de euros.
Até final de dezembro de 2027, para intervenções de curto prazo, estima um investimento de 31 milhões de euros e a médio prazo, para além de janeiro de 2028, cerca de 53 milhões de euros.
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