Em Portugal ainda há castelos que estão de tal forma integrados nas localidades onde foram construídos que continuam a ter vida quase como noutros tempos. É o caso dos castelos de Redondo e de Borba, no Alentejo.

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O Redondo foi um dos mais tardios concelhos criados por D. Dinis, que quis reforçar o seu poder na região alentejana.
Para isso, mandou erguer um castelo cuja porta se tornou uma das mais reconhecidas do país. Não pelo nome de Porta do Sol, dado por estar virada a nascente, mas como Porta da Ravessa, como é também conhecida.
Porém, na obra de D. Dinis nem tudo ficou perfeito. A torre de menagem original, hoje só acessível por terrenos privados, foi considerada pelos locais como demasiado baixa. Por isso pediram ao rei Afonso V que fosse construída uma nova. Mas o dinheiro não abundava.
A construção tardia influenciou o desenho menos habitual da torre, que manteve uso até ao século XX. Foi ala de apoio do hospital, funcionando como área de isolamento para doentes.
Motivos que ajudaram o castelo do Redondo a ser até hoje vivido no dia a dia, quase como desde a fundação. Ainda que no início da vila o crescimento tenha sido complicado, até aparecer D. João I.
A vila cresceu, mas o castelo foi mantendo boa parte dos traços originais, até porque, apesar da missão militar defensiva, poucas vezes foi colocado à prova.
Mas bem perto do Redondo, em Borba, o mesmo já não pode ser dito.
Na rua onde aconteceu o episódio de 1662, durante a Guerra da Restauração, hoje é mais sítio para conversa do que de violência. Isso revela a centralidade mantida por um castelo, como atestam os vestígios da vida mundana, como as molas. E a ideia é reforçar essa memória.
Essa vivência, de alguma forma, escondeu a fortificação no casario, mas que, no entanto, pode ser visitada em cerca de 25% do perímetro.
O acesso à muralha é feito por uma habitação que já foi particular e que a autarquia comprou para o efeito, onde se mostra a história da terra.
Já no topo, consegue-se percorrer os passos dos militares vigilantes de outros tempos e pisar o cimo de uma torre cheia de histórias.
Do espaço requalificado há poucos anos, pode-se ver ainda as portas de Estremoz de um ângulo superior, e até a pedra que marca a construção das muralhas ao tempo de D. Dinis. Não falta um Barbo que, diz a lenda, deu origem ao nome de Borba.
Mas é mesmo a Guerra da Restauração que evoca grande parte da lembrança bélica. Por isso, encostado ao castelo, foi criado um centro de interpretação dedicado ao conflito. Porque, se a violência castelhana é recordação amarga, também nesta terra do Alentejo decorreu a última grande batalha que garantiu a independência: a de Montes Claros.
Após 25 anos de guerra, pôs-se fim à ambição espanhola. O comandante António Luís de Meneses, Marquês de Marialva, fez construir a ermida de Nossa Senhora da Vitória. Uma lápide celebra o sucesso, mas também um desejo: que os portugueses não voltassem a ouvir, ver ou experimentar o que sucedeu nos campos da batalha de Montes Claros.
