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Nestas cinco semanas de guerra, Donald Trump já ameaçou fazer o Irão regressar à Idade da Pedra, mas também garantiu que iria ele próprio gerir o estreito de Ormuz, juntamente com o poder iraniano.
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Enquanto isso, exortou os aliados a enviarem tropas para desbloquear o estreito. No dia em que afirmou que as negociações com o regime iraniano corriam a bom ritmo e que a guerra estava a dias de terminar, reafirmou a promessa de não deixar pedra sobre pedra.
Num perfil atualizado de Trump: o ouvido filtra apenas o que lhe convém, ignorando tudo o resto. A memória é estrategicamente curta, podendo ser descartada no próprio dia, perdendo-se o rasto entre a manhã e a tarde.
Nessa data, já o estreito de Ormuz, a arma de arremesso do Irão, se impunha como o pomo de discórdia, e Donald Trump pré-anunciava uma solução à la Venezuela.
Os cinco dias passaram sempre com o Irão a negar que o acordo estivesse em marcha. Ao quinto dia, 28 de março, Trump esqueceu-se do prazo que ele próprio tinha definido a 23. Limitou-se a inflacionar o ego, trocando deliberadamente o nome do estreito.
O estreito continuou a chamar-se Ormuz, e Trump continuou a negociar, sem que dissesse ao mundo com quem, uma vez que o Irão garantia não ser com eles.
O vocabulário de Trump não pode ser entendido à letra; “negociar” talvez não queira dizer exatamente negociar, uma vez que, no mesmo dia, Trump fez da guerra um balanço muito pessoal.
Os mortos, habitualmente, dado o estado em que se encontram, são razoáveis. Mas a 1 de abril, afinal, os mortos estavam vivos, e esses também eram razoáveis ou racionais.
Os preços dos combustíveis disparam no mundo inteiro, incluindo nos Estados Unidos. Nas bolsas mundiais, só as ações das petrolíferas que não precisam do petróleo do Golfo disparam. E o estreito de Trump está cada vez mais de Ormuz.
