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Estudo, baseado em simulações computacionais, demonstrou que a substância pode dar origem a novos fármacos.
WLADIMIR BULGAR/SCIENCE PHOTO LI
Um novo estudo identificou um composto presente na planta aloé vera que pode ajudar a retardar a progressão da doença de Alzheimer. A investigação é ainda baseada apenas em simulações computacionais, sem ensaios em humanos, necessitando de validação experimental futura.
A aloé vera é uma planta suculenta conhecida há séculos pelas suas propriedades medicinais, embora os benefícios tradicionalmente atribuídos à planta continuem a ser alvo de debate científico.
No novo estudo, investigadores da Universidade Hassan II de Casablanca analisaram 11 compostos extraídos das folhas da aloé vera. O que apresentou resultados mais promissores foi o beta-sitosterol.
O papel das enzimas no Alzheimer
A investigação parte de um dos mecanismos já conhecidos da doença: acetilcolina, um neurotransmissor essencial para a memória e aprendizagem, encontra-se frequentemente em níveis reduzidos em pessoas com Alzheimer.
Duas enzimas, a acetilcolinesterase (AChE) e a butirilcolinesterase (BChE), são responsáveis pela degradação da acetilcolina. Vários medicamentos atualmente utilizados no tratamento sintomático da doença atuam precisamente inibindo estas enzimas, para aumentar a disponibilidade do neurotransmissor no cérebro.
Foi neste contexto que a equipa avaliou se compostos da aloé vera seriam capazes de se ligar à AChE e à BChE. O beta-sitosterol obteve as melhores pontuações nas simulações de ligação a ambas as enzimas, sugerindo potencial para reduzir a sua atividade.
Resultados obtidos apenas por simulação
A investigação foi realizada exclusivamente “in silico”, ou seja, com recurso a modelos computacionais. Não houve ensaios laboratoriais nem testes em animais ou humanos.
Depois de avaliar a ligação às enzimas, os investigadores analisaram o perfil farmacológico do beta-sitosterol através de modelos ADMET, que simulam Absorção, Distribuição, Metabolismo, Excreção e Toxicidade. Estes parâmetros permitem prever como uma substância se comportará no organismo.
O composto apresentou um perfil considerado favorável. Outro composto analisado, o ácido succínico, também revelou potencial.
Ainda assim, os próprios autores sublinham que os resultados representam apenas um ponto de partida e exigem validação experimental.
Uma doença complexa e em crescimento
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência a nível mundial. Segundo dados frequentemente citados por organizações internacionais de saúde, afeta atualmente mais de 55 milhões de pessoas e poderá atingir 138 milhões até 2050, à medida que a população envelhece.
Trata-se de uma doença multifatorial, cuja origem envolve vários mecanismos biológicos. Essa complexidade ajuda a explicar porque continuam a ser procuradas novas abordagens terapêuticas, incluindo a reutilização de medicamentos já existentes para outras patologias.
“A nossa abordagem in silico oferece uma direção promissora para o desenvolvimento de novos tratamentos para a doença de Alzheimer”, afirma Khedraoui.
