Portugal

CR da Lusa repudia "comportamento antidemocrático" de autarca de Coimbra

As acusações que a presidente da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) dirigiu ao profissional da Lusa na reunião pública do executivo “são extremamente graves e põem em causa o bom nome e a honestidade profissional do jornalista, além de configurarem uma tentativa de intimidação inaceitável da Comunicação Social em geral”.

“A Democracia não é isto e a atitude da presidente da CMC é ainda mais grave por corresponder a um tipo de comportamento antidemocrático que se vem assistindo em Portugal e noutros países em que o Jornalismo é posto em causa”, lê-se na nota.

Os membros eleitos do CR “acompanham a Direção de Informação [DI] da Lusa na nota que distribuiu à redação e em todas as ações que empreender na defesa do bom nome do jornalista e dos camaradas da delegação da região Centro, bem como de todos os profissionais da Lusa”.

Os representantes da redação manifestam a João Gaspar — de quem receberam uma exposição e com quem dialogaram — e aos camaradas da delegação da região Centro em particular, “total solidariedade”, disponibilizando-se “para acompanhar as ações que venham a ser empreendidas, a título particular ou institucional, para reparar o dano reputacional causado pela presidente da CMC”.

Também em comunicado, a Comissão de Trabalhadores (CT) condenou “com veemência as declarações” da presidente da Câmara de Coimbra em relação a João Gaspar, subscrevendo as posições da DI e dos membros eleitos do CR.

A CT considera que Ana Abrunhosa “deve retratar-se e transmitiu a indignação sobre o assunto em mensagem dirigida à autarquia de Coimbra, através dos canais oficiais”.

Na sexta-feira, a DI da agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra “repudiando acusações” que dirigiu a João Gaspar, na reunião pública do executivo.

Numa nota, a DI considerou que as acusações da autarca eleita numa coligação PS/Livre/PAN foram “descabidas, infundadas e difamatórias” e reiterou a sua confiança em João Gaspar, “cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível”.

Entre as acusações, Abrunhosa afirmou que o jornalista faltou à verdade numa notícia, imputando-lhe uma “falha deontológica grave”, acusando-o de ter uma “agenda política” própria, e que por isso retirava a confiança no jornalista.

A direção acentuou que o jornalista se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.

“Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à câmara. Só ao fim de nove dias publicou a notícia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão”, refere-se na mesma nota.

A notícia cita o coordenador do espaço, Tiago Santos, segundo o qual a Casa do Cinema de Coimbra está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, e acrescenta que a Lusa questionou o executivo municipal, mas não obteve qualquer resposta.

O caso levou o PCP a acusar hoje a presidente da câmara de fazer acusações que evidenciaram “traços de prepotência”.

“O PCP condena a tentativa de condicionamento do livre exercício do jornalismo, ocorrida na reunião do executivo municipal de Coimbra”, salienta-se num comunicado da estrutura concelhia de Coimbra.

Para os comunistas, este episódio, da parte de Abrunhosa, revela “traços de prepotência e dificuldade em lidar com a crítica”, considerando “que o respeito pelos trabalhadores da comunicação social é um dever básico dos detentores de cargos públicos”, e manifestando “inteira solidariedade para com o jornalista visado”.

Também a Iniciativa Liberal (IL) de Coimbra condenou o comportamento, exigindo que Ana Abrunhosa se retrate pelo ataque público ao jornalista da Lusa e que “cesse qualquer tentativa de condicionamento da comunicação social”.

“Este comportamento é inaceitável, intimidatório e representa uma ameaça direta à liberdade de imprensa e ao livre exercício do jornalismo”, acusou a IL/Coimbra, em comunicado.

Os liberais defenderam que “um jornalista não precisa da confiança política de ninguém para desempenhar as suas funções” e salientaram que “o jornalismo existe para escrutinar o poder e não para o validar”.

“Quando um executivo municipal opta pelo silêncio perante pedidos de esclarecimento, a responsabilidade pela ausência de resposta na notícia é exclusivamente do executivo, e não do jornalista que cumpre o seu dever de informar”, vincaram.

[Notícia atualizada às 20h55]

Leia Também: IL/Coimbra acusa Ana Abrunhosa de ameaçar liberdade de imprensa



Noticias ao minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *