Agronegócio

Crise no Estreito de Ormuz eleva custos de fertilizantes e ameaça produção agrícola global


O bloqueio do tráfego de navios no Estreito de Ormuz está a provocar uma das mais recentes e graves perturbações nos fluxos globais de produtos agrícolas, com implicações para a segurança alimentar, produção e mercados mundiais, alerta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo Máximo Torero, economista-chefe da organização, a região do Golfo é responsável por quase metade do comércio mundial de enxofre, essencial para produzir ácido sulfúrico usado na transformação de fosfatos em fertilizantes. Qualquer interrupção nesse fornecimento pode comprometer a produção global de fertilizantes fosfatados, incluindo em grandes países produtores.

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Custos para agricultores e impacto na produção
Segundo a FAO, os custos de fertilizantes já subiram significativamente. O preço da ureia granular do Médio Oriente aumentou 19% na primeira semana de março, enquanto o preço da ureia no Egito subiu 28%. Como o gás natural é a principal matéria-prima para fertilizantes nitrogenados, a FAO estima que os preços globais de fertilizantes poderão manter-se 15 a 20% mais altos na primeira metade de 2026 se a crise continuar.

“Os agricultores enfrentam um duplo choque: fertilizantes mais caros e aumento do custo dos combustíveis, que afeta toda a cadeia agrícola, incluindo rega e transporte”, disse o economista-chefe da organização.

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Segundo o responsável, muitos produtores poderão reduzir a aplicação de fertilizantes ou optar por culturas menos exigentes em fatores de produção, o que pode reduzir rendimentos, especialmente em regiões com uso de fertilizantes já baixo.

Duração da disrupção e cenários de impacto
O impacto global dependerá da duração da crise, sublinha a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, salientando que uma interrupção de até um mês deve ter efeitos contidos, com stocks alimentares suficientes e estabilização dos mercados em cerca de três meses.


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No entanto, se a crise se prolongar por três meses ou mais, a FAO prevê redução de rendimentos em culturas intensivas em fertilizantes, como trigo, arroz e milho, e substituição parcial por culturas como a soja. O aumento do preço do petróleo poderá ainda reforçar a procura por matérias-primas para biocombustíveis.

Recomendações de política
A FAO recomenda ação internacional coordenada:

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– Curto prazo: abrir corredores alternativos, apoio financeiro de emergência a países dependentes e acesso a crédito para agricultores;

– Médio prazo: diversificação das fontes de fertilizantes, reforço de reservas regionais e evitar restrições à exportação;

– Longo prazo: investimento em agricultura sustentável e eficiente em fatores de produção, desenvolvimento de fertilizantes alternativos e reconhecimento do sistema alimentar como infraestrutura estratégica.



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